Professores da Bibala e Camucuio em greve por falta de pagamento de 14 meses de subsídios das zonas recônditas
Professores da Bibala e Camucuio em greve por falta de pagamento de 14 meses de subsídios das zonas recônditas
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A greve dos professores nos municípios da Bibala e Camucuio, província do Namibe, já entrou hoje no seu sétimo dia, deixando milhares de alunos sem aulas e aumentando a tensão entre a classe docente e as autoridades locais.

A paralisação, iniciada a 19 de Novembro, resulta da exigência do pagamento de 14 meses de retroactivos referentes aos subsídios das zonas recônditas, uma reivindicação antiga e ainda sem solução.

Segundo fontes do Sindicato Nacional de Professores (SINPROF) nos dois municípios, a adesão à greve ronda os 80%.

Os professores afirmam estar cansados da “falta de vontade política” do governo provincial, que, segundo alegam, não cumpriu a promessa feita no início de outubro sobre a regularização dos subsídios.

Sabe-se que, na tentativa de apaziguar a crise, o governador do Namibe, Archer Mangueira, reunira no dia 19, com dirigentes local do SINPROF.

No entanto, os encontros subsequentes realizados pelo sindicato com os docentes, tanto na Bibala como no Camucuio, não surtiram qualquer efeito.

Os professores mantêm a posição de que só regressarão às aulas após o pagamento integral dos valores em atraso.

“Queremos o nosso dinheiro. O governo deve-nos, e estamos cansados de promessas não cumpridas”, desabafou um docente, que preferiu manter o anonimato.

Alunos e encarregados de educação também expressaram frustração, alertando para o impacto negativo da greve no aproveitamento escolar. “Queremos estudar. O governo precisa resolver este problema”, apelou um dos alunos.

Intimidação

Na quarta-feira, 26, o director provincial da Educação, Agostinho Sebastião Neto, deslocou-se ao Camucuio para uma reunião com diretores escolares.

Fontes do Imparcial Press asseguram que o encontro, em vez de se focar na solução da crise, terá sido marcado por “ameaças de represálias e registo de faltas” contra os professores grevistas.

A situação ganhou novo contorno após o Colégio nº17 – Santina, na Bibala, emitir um comunicado considerando a greve “ilegal” e advertindo para possíveis cortes salariais. A instituição orientou o regresso imediato às aulas, alegando instruções superiores.

SINPROF não reage

A actual direção provincial do SINPROF também está a ser alvo de duras críticas por parte de membros da classe docente. Professores acusam o sindicato de ter adoptado um comportamento “ambíguo” e de estar a pressionar indevidamente os grevistas a regressarem às salas de aula sem que a situação tenha sido resolvida.

Há mesmo quem considere que a direção, liderada pelo professor Catimba, perdeu credibilidade, mostrando-se mais alinhada com o governo do que com os professores.

Já vários docentes em Moçâmedes admitem a possibilidade de abandonar o sindicato, alegando falta de confiança e de representatividade.

Enquanto isso, as autoridades provinciais seguem sem um pronunciamento oficial sobre a greve, que continua a paralisar o sector da educação nos dois municípios.

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