Cidadã Angélica Morais humilhada após a morte – Hospital Geral de Luanda entrega corpo “pobre” a família para realizar o enterro
Cidadã Angélica Morais humilhada após a morte - Hospital Geral de Luanda entrega corpo "pobre" a família para realizar o enterro
HGL

Os restos mortais da cidadã Angélica Morais, de 42 anos de idade, que perdeu a vida na quinta-feira, 01 de Dezembro, no interior do Hospital Geral de Luanda, por negligência médica, foram hoje, domingo (04) enterrados no cemitério do Camama, soube o Imparcial Press junto de uma fonte que acompanha de perto o caso.

Infelizmente aconteceu o inesperado. O corpo da malograda não foi devidamente conservado, ou seja, estava totalmente inflamado, impossibilitando assim o devido reconhecimento pelos familiares que se deslocaram hoje na casa mortuária, a fim de dar sequência ao programa fúnebre.

O activista Pedrowski Teka, que acompanhou de perto o último adeus a Angélica Morais, descreve que no local onde decorreu as últimas homenagens, no campo da 7.ª Esquadra, no bairro Avó Kumbi, arredores do mercado dos Correios, em Luanda, o rosto da malograda foi tapado com um pano, devido o estado avançado da decomposição, podendo se ver apenas os olhos.

“Não estamos a conseguir destapar o rosto”, disse o filho Mariano Fernando Morais – que esteve ao lado da sua progenitora até ao último suspiro e denunciou publicamente, num vídeo posto a circular nas redes sociais -, lamentando que os restos mortais da malograda não tiveram tratamento digno.

Segundo o jovem, quando a mãe faleceu, o corpo foi posto na morgue do Hospital Geral de Luanda e, posteriormente, transferido à morgue municipal, que se encontra próximo ao mesmo hospital. Inexplicavelmente, o corpo teve de ser retornado à morgue do Hospital Geral de Luanda, onde foi destratado.

“O corpo só inflama quando não é posto a congelar na morgue e presume-se que essa foi uma das razões que estiveram na base do impedimento da entrega do corpo à família ontem, sábado, 03 de Dezembro de 2022”, disse o activista.

Recorde-se que ontem, o jovem denunciou que estava a ser coagido, por pessoas não identificadas, a desmentir as informações que viralizaram nas redes sociais, como requisito para a liberação do corpo da sua mãe para o enterro.

Outrossim, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, garantiu, ontem, que os profissionais culpados pela morte da cidadã Angélica Morais, no Hospital Geral de Luanda, supostamente por falta de entendimento, serão responsabilizados disciplinar e criminalmente, caso seja apurado o inquérito.

“Seremos implacáveis e vamos tomar as medidas que se impõem. Queremos profissionais na saúde que prestem serviços humanizados”, disse Sílvia Lutucuta que falava à margem do 31º Conselho Consultivo do pelouro que decorre na província do Zaire.

Por outro lado, a direcção do Hospital Geral de Luanda admitiu, num comunicado distribuído à imprensa na última sexta-feira, que a cidadã Angélica Morais deu entrada, na quinta-feira, 01 de Dezembro, nos seus serviços de urgência de medicina, via transferência de outra unidade de saúde, com antecedentes de hipertensão arterial, com um quadro clínico grave, descrito como uma doença cérebro-vascular em fase aguda.

Efectuada a avaliação à entrada, verificou-se um quadro compatível com um acidente cérebro-vascular (AVC) agudo, no contexto de uma emergência hipertensiva, cuja evolução decorreu em óbito.

“O Hospital Geral de Luanda torna público que foi criada uma comissão de inquérito, coordenada pelo Ministério da Saúde e o Governo Provincial de Luanda, para averiguar as circunstâncias do ocorrido”, rematou o documento.

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