
Luanda voltou a ser palco de simbolismo político e rigor protocolar este sábado, 27 de Dezembro, durante a tradicional Cerimónia de Cumprimentos de Fim de Ano, realizada no Complexo Protocolar da Presidência da República.
Entre discursos de balanço e apelos à união nacional, um detalhe de imagem chamou a atenção dos observadores mais atentos: o calçado usado pelo Presidente da República, João Lourenço.
O Chefe de Estado apresentou-se com um par de sapatos sociais de luxo, confeccionados em couro exótico – frequentemente identificado como pele de crocodilo ou jacaré -, um material reservado a peças de alta gama no universo da moda internacional.
Embora o calçado não apresente logótipo visível, especialistas em moda e artigos de luxo associam o modelo a criações da prestigiada casa francesa Berluti, reconhecida mundialmente pelo seu trabalho artesanal e pela utilização de matérias-primas nobres.
Trata-se de um modelo clássico, possivelmente das tipologias Oxford ou Derby, caracterizado pelo acabamento manual, textura em relevo e brilho natural típico da pele exótica.
No mercado internacional de luxo, sapatos com estas características atingem valores elevados. Modelos semelhantes da Berluti rondam os 8.200 dólares norte-americanos, enquanto produções artesanais premium de marcas europeias especializadas podem variar entre 4.000 e 7.500 euros, consoante o nível de personalização e a raridade do material utilizado.
A escolha do calçado ocorreu num momento de elevada exposição pública, num evento em que João Lourenço reafirmou o compromisso do Executivo com o desenvolvimento do país.
No seu discurso, o Presidente apelou à participação activa de todos os angolanos na construção nacional, sublinhando que “fazer um país” não é uma responsabilidade exclusiva dos políticos ou dos empresários.
“Vamos continuar focados em procurar resolver os problemas do povo e em trazer o desenvolvimento ao nosso país”, afirmou o Chefe de Estado, reiterando o empenho do Executivo em fazer de 2026 um ano melhor do que o que agora termina.
Entre a sobriedade institucional e os sinais subtis de luxo, a cerimónia voltou a evidenciar como, nos espaços de poder, a imagem assume também um papel comunicacional relevante, funcionando como extensão da mensagem política.
Para além do protagonismo natural do Presidente da República, a presença de Norberto Garcia destacou-se no plano da representação estética.
Pela coerência do conjunto, pelo rigor do corte e pela ousadia controlada do blazer estampado, Norberto afirmou-se como a segunda figura mais bem representada do evento em termos de vestuário, num contexto em que cada detalhe visual comunica estatuto, função e posicionamento institucional.
O blazer de padrão geométrico, peça central do visual, revelou uma opção equilibrada entre modernidade e formalismo.
Embora pouco comum em cerimónias de Estado, a escolha foi executada com sobriedade suficiente para respeitar o protocolo, reforçando uma imagem de sofisticação e segurança estética.
A peça enquadra-se claramente na alta alfaiataria contemporânea, distinguindo-se do fato clássico uniforme sem recorrer a excessos.
A conjugação com camisa branca formal, gravata preta lisa e calça de alfaiataria escura contribuiu para equilibrar o impacto visual do blazer, evitando qualquer ruído estético.
Esse equilíbrio é precisamente o que separa um visual elegante de um conjunto meramente chamativo. No caso de Norberto Garcia, a composição revela domínio das convenções do vestuário formal e capacidade de as reinterpretar com personalidade.
O calçado, igualmente de linhas clássicas, reforçou a leitura de cuidado e estatuto. Os sapatos Oxford pretos, de couro polido, enquadram-se nos padrões exigidos para cerimónias oficiais de alto nível, sugerindo uma marca de gama média-alta ou produção artesanal, consolidando a imagem de rigor e completude do conjunto.
No plano simbólico, a indumentária de Norberto Garcia projectou uma imagem de autoridade serena, distinção e pertença ao núcleo central do poder, sem recorrer à ostentação explícita.
Num evento marcado por leituras políticas, protocolares e mediáticas, o seu visual destacou-se como um dos mais conseguidos, posicionando-o, de forma clara, como a segunda figura mais elegante e bem representada da cerimónia, logo após o Chefe de Estado.