
A 69.ª edição da tradicional corrida de fim de ano São Silvestre, disputada ontem, 31 de Dezembro de 2025, em Luanda, ficou marcada por vários constrangimentos organizativos que acabaram por manchar o espectáculo desportivo, apesar do elevado nível competitivo apresentado pelos atletas nacionais e estrangeiros.
Na vertente competitiva, o atleta Aden Ivabem, do Djibuti, sagrou-se vencedor da prova masculina, ao cumprir os 10 quilómetros em 28 minutos e 09 segundos, destacando-se do pelotão logo nos primeiros quilómetros.
Mouftar Ismil, igualmente do Djibuti, ficou na segunda posição (28m26s), enquanto o queniano Sadrack Curri completou o pódio com o tempo de 28m59s.
Em femininos, a vitória sorriu à queniana Valentina Rutto, com 33 minutos e 06 segundos. A angolana Adelaide Machado, do Interclube, foi a melhor atleta nacional, ao terminar na segunda posição com 35m52s, seguida de Josefina Baptista, da “Caminhada do Kilamba”, que fechou o pódio com 35m55s.
No que diz respeito à vertente paralímpica, Amadeu Suket, do Huambo, venceu a classe T11 (cegueira total) masculina, com 38m11s, enquanto Esperança Bota, de Luanda, triunfou em femininos com 45m20s.
Na classe T46 (membros amputados), Severino Chopesse foi o vencedor masculino, e Helena Luanda destacou-se entre as mulheres.
Apesar do sucesso desportivo, a organização foi alvo de críticas severas por parte dos mais de seis mil participantes. Ao longo do percurso, que ligou o Largo da Mutamba ao Estádio dos Coqueiros, passando por várias artérias centrais da cidade, registou-se falta de água em diversos postos de abastecimento, situação que colocou em risco a saúde e o desempenho dos corredores.
No local da meta, o cenário de desorganização agravou-se. Muitos atletas denunciaram não ter recebido o kit completo de participação, limitando-se à entrega do dorsal, mesmo após o pagamento de oito mil kwanzas pela inscrição.
Outros apresentaram-se à partida com camisolas de cores diferentes das distribuídas pela organização, evidenciando falhas na logística e no controlo do evento.
O descontentamento foi ainda maior no final da prova, quando se constatou que nem todos os participantes receberam a medalha de participação, nem água ou a banana previstas para a recuperação física.
A situação afectou atletas federados e amadores, em ambos os sexos, gerando críticas generalizadas e colocando em causa a credibilidade da organização de uma das mais emblemáticas provas do atletismo nacional.
Também a comunicação institucional mereceu reparos, com jornalistas a queixarem-se de informações desencontradas e ausência de dados oficiais claros sobre a prova, o que dificultou a cobertura mediática do evento.
Apesar dos problemas registados, o Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA) informou ter atendido 37 ocorrências durante a prova, menos 13 do que na edição anterior.
Segundo o coordenador da instituição, António Neto, os casos não foram graves, estando maioritariamente relacionados com vómitos, calafrios, desidratação e hipoglicemia.
A edição deste ano da São Silvestre de Luanda voltou assim a demonstrar o potencial competitivo e popular da prova, mas expôs fragilidades organizativas que, se não forem corrigidas, poderão comprometer o prestígio e a segurança de um dos maiores eventos desportivos do país.