
Trabalhadores da empresa Barros & Tati, que operam no complexo petrolífero de Malongo, em Cabinda, lançaram um grito de socorro ao superintendente da Chevron/Cabgoc, denunciando um ambiente laboral marcado por medo, pressão psicológica, alegados abusos de poder e despedimentos que consideram injustos.
Em declarações prestadas em nome dos trabalhadores, Carvalho Lopes afirmou que, desde a entrada da Barros & Tati em Malongo, os funcionários deixaram de ter voz ativa, inclusive nas reuniões de segurança, por receio de represálias e despedimentos arbitrários.
Segundo o denunciante, a ausência de liberdade de expressão no local de trabalho compromete não apenas os direitos laborais, mas também a própria segurança operacional.
Entre os casos apontados constam trabalhadores experientes que se encontram em casa desde o ano passado, após alegados despedimentos injustificados.
A situação acabou por arrastar a Chevron/Cabgoc para o Tribunal de Cabinda, um desfecho que, segundo os trabalhadores, poderia ter sido evitado caso a direção da Barros & Tati tivesse optado pelo diálogo e pela resolução interna dos conflitos.
Os relatos indicam ainda que o ambiente de trabalho permanece desfavorável, com denúncias de ameaças, ofensas e intimidações, supostamente praticadas por alguns “team leaders”, alguns dos quais, segundo os trabalhadores, não reúnem experiência nem competência técnica para liderar operações de transporte em contexto petrolífero.
Os trabalhadores alertam que o silêncio forçado a que estão sujeitos cria um clima de tensão permanente, comparado a “um balão que se enche até explodir”, com potenciais consequências graves.
Este ambiente, afirmam, tem contribuído para a ocorrência contínua de acidentes de trabalho, uma vez que os funcionários operam sob forte pressão psicológica e alegado abuso de poder.
Diante deste quadro, os trabalhadores apelam à Chevron/Cabgoc para que não renove o contrato com a empresa Barros & Tati e exigem igualmente a abertura de uma investigação profunda sobre a gestão laboral da prestadora de serviços.
Entre as principais exigências constam uma explicação clara sobre a não atualização da tabela salarial, que permanece há mais de dois anos abaixo dos cinco dígitos, com salários inferiores a 500.000 kwanzas, bem como o esclarecimento sobre a não reintegração de trabalhadores despedidos, apesar de decisões favoráveis do Tribunal de Cabinda.
“Estamos calados, mas não parados”, concluem os trabalhadores, reforçando que esperam uma intervenção urgente da superintendência da Chevron/Cabgoc para salvaguardar a dignidade, a segurança e os direitos laborais no complexo petrolífero de Malongo.