Subcomissário Domingos Jerónimo expulso do Cofre de Previdência da Polícia por má gestão
Subcomissário Domingos Jerónimo expulso do Cofre de Previdência da Polícia por má gestão
domingos

O presidente da Mesa da Assembleia Geral do Cofre de Previdência do Pessoal da Polícia Nacional de Angola (CPPPNA), comissário-geral Francisco Monteiro Ribas da Silva, suspendeu, na quinta-feira última, com efeito imediato, o Conselho de Direcção liderado pelo subcomissário Domingos Jerónimo, invocando fraco desempenho, má prestação de serviços ao efectivo policial, gestão deficitária dos recursos e outras irregularidades.

Segundo um informe, a decisão foi tomada após auscultação da Assembleia Geral Extraordinária e ao abrigo da alínea g) do artigo 22.º do Estatuto Orgânico do CPPPNA.

Enquanto durar a suspensão, foi criada uma Comissão de Gestão para assegurar a administração corrente da associação mutualista, responsável pela gestão de contribuições e benefícios sociais dos efectivos da Polícia Nacional.

A medida surge pouco mais de dois anos depois da reeleição de Domingos Jerónimo para um segundo mandato, em Setembro de 2023.

Na altura, o dirigente prometeu lançar projectos como atribuição de residências, viaturas e crédito ao consumo, garantindo que o seu maior objectivo seria atender às necessidades dos associados, no activo e na reforma.

A suspensão expõe agora um contraste gritante entre o discurso de promessas e a realidade da gestão do CPPPNA, uma instituição com mais de 90 anos, considerada a primeira associação mutualista do país.

Fontes ligadas ao processo referem que a decisão reflecte um acumular de queixas internas sobre a degradação dos serviços prestados aos efectivos e a opacidade na utilização dos recursos financeiros.

O subcomissário Domingos Jerónimo assumiu a presidência do CPPPNA em Setembro de 2019, em substituição ao comissário Luís Alexandre, a quem então acusou de várias irregularidades administrativas.

A actual suspensão levanta, por isso, dúvidas sobre a coerência e a credibilidade da liderança do CPPPNA, bem como sobre a eficácia dos mecanismos de fiscalização interna da instituição. Até ao momento, o subcomissário Domingos Jerónimo não reagiu publicamente à decisão.

A criação de uma Comissão de Gestão é vista, por associados ouvidos pelo Imparcial Press, como um sinal tardio de intervenção, depois de anos de alegada má governação de um fundo que deveria garantir segurança social e apoio digno aos efectivos da Polícia Nacional.

A Mesa da Assembleia Geral não avançou prazos para a conclusão dos trabalhos da comissão nem esclareceu se o caso poderá dar origem a responsabilidades disciplinares ou criminais.

De salientar que o Cofre de Previdência do Pessoal da Polícia Nacional de Angola reuniu-se na quinta-feira, 22, no Instituto Superior de Ciências Policiais e Criminais (ISCPC) “General Osvaldo de Jesus Serra Van-Dúnem”, em assembleia-geral extraordinária, sob a presidência do comissário-geral Francisco Monteiro Ribas da Silva.

Na ocasião, o também comandante-geral da Polícia Nacional recomendou aos membros do CPPPNA a trabalharem para que a instituição volte a ser robusta e capaz de servir todos os efectivos, mediante uma estratégia em parceria com os bancos, que permita ao CPPPNA actuar como avalista ou fiador na aquisição de viaturas pessoais, residências e até propriedades agrícolas, garantindo igualmente rendimento no período da reforma.

Francisco Silva apelou à união de esforços para tornar o CPPPNA numa instituição capaz de assegurar e elevar a um patamar de excelência, garantindo o futuro dos associados.

A mais alta patente da polícia destacou ainda a ética e a moral como valores essenciais para colocar em prática os conhecimentos académicos, técnicos e científicos em prol do interesse do CPPPNA e dos seus associados.

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