
Uma vaga de assaltos a residências de cidadãos angolanos em Portugal, com maior incidência em Lisboa, Cascais, Odivelas, na margem sul do Tejo e em zonas periféricas como Tóvelas, está a ser investigada por suspeita de envolvimento de uma rede criminosa organizada, liderada por irmãos Norton, naturais de Benguela.
A informação foi avançada pelo director do Laboratório Sakatindi, Sabalo Salazar, que acompanha o caso a pedido das famílias afectadas, que são maioritariamente cidadãos angolanos com estabilidade financeira, incluindo figuras ligadas aos meios empresarial, político e social.
O grupo seleccionava previamente os alvos, analisando rotinas diárias, localização das residências e níveis de vulnerabilidade. Com base na repetição dos crimes e na similitude do modus operandi, o Laboratório Sakatindi afirma ter identificado os presumíveis autores materiais de uma parte significativa dos assaltos, apontando para a actuação concertada de jovens naturais de Benguela em associação com indivíduos de etnia cigana.
O caso mais recente, considerado de especial gravidade, envolve o assalto a um jovem empresário angolano, identificado apenas por Mário, natural de Benguela, ocorrido à porta da sua residência e com recurso a arma de fogo.
De acordo com os elementos recolhidos, seis indivíduos encapuzados imobilizaram a vítima, subtraíram telemóveis, cartões bancários e os respectivos códigos de acesso, e realizaram posteriormente levantamentos e transacções bancárias, causando prejuízos financeiros elevados.
Durante a execução do crime, os suspeitos faziam-se transportar com uma arma de caça e três pistolas, o que agravou substancialmente o risco para a integridade física da vítima. O processo n.º NPP 22121/2026 encontra-se actualmente sob investigação da Polícia Judiciária (PJ), no âmbito do NUIPC 000064/26.7 PBSXL.
No decurso da investigação pericial, a fonte primária refere ter identificado vários alegados suspeitos, entre os quais três irmãos, Jairo Norton, mais conhecido por Samy, Carlos Norton, vulgo Carlinho, e Marcelo Miranda, também conhecido por Marcelo, filhos de “Tukinha” e de Kinino Norton, todos naturais de Benguela.
Conforme a mesma fonte, as autoridades portuguesas já dispõem destes elementos. Foi igualmente apurado que o grupo utilizava de forma recorrente uma viatura Toyota branca para a execução dos assaltos.
Existem ainda indícios consistentes de que os mesmos suspeitos poderão estar envolvidos em pelo menos mais três assaltos semelhantes ocorridos em diferentes zonas da Grande Lisboa, estando as investigações em curso.
Sabalo Salazar defende que a denúncia atempada continua a ser um elemento central no combate à criminalidade organizada, num contexto em que cresce a preocupação da comunidade angolana residente em Portugal com a sua segurança e com a eficácia das respostas preventivas e repressivas das autoridades.