Angola registou cerca de 1.400 novos casos de cancro em 2025
Angola registou cerca de 1.400 novos casos de cancro em 2025
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Cerca de 1.400 novos casos de cancro foram registados em todo o país em 2025, revelou esta quarta-feira, em Luanda, a chefe do Serviço de Radioterapia do Instituto Angolano de Controlo de Cancro (IACC), Isabel Vunda.

A responsável falava à imprensa por ocasião do Dia Mundial do Cancro, que hoje se assinala, tendo referido que, em 2024, a instituição registou um total de 2.181 casos de diferentes tipos da doença.

Segundo Isabel Vunda, os diagnósticos abrangem todas as formas de cancro, sendo as províncias de Benguela, Huíla, Cunene e Cabinda as que apresentam maior número de casos.

Entre os tipos mais frequentes destacam-se o cancro da mama, com 405 casos, seguido do cancro do colo do útero (202), da próstata (130), da pele não melanoma (78) e do fígado (59), entre outros.

A especialista explicou que os dados apontam para uma tendência crescente dos cancros da mama e da próstata. No caso do cancro da mama, embora afecte maioritariamente mulheres, cerca de 1% dos casos são registados em homens.

A médica alertou ainda para o surgimento da doença em faixas etárias cada vez mais jovens, referindo casos em mulheres com menos de 30 anos e diagnósticos de cancro do colo do útero em jovens de apenas 18 anos.

Isabel Vunda esclareceu que o Instituto Angolano de Controlo de Cancro dispõe de um bloco operatório capaz de realizar cirurgias complexas, medicamentos citostáticos e um Departamento de Radioterapia equipado com tecnologia moderna. Garantiu igualmente que todos os exames de rastreio e tratamentos realizados na instituição são totalmente gratuitos, incluindo mamografia, ecografia, papanicolau, medicamentos e tratamentos oncológicos.

A responsável destacou ainda a existência de um Departamento de Prevenção, que desenvolve acções de sensibilização ao longo de todo o ano, através de palestras em escolas, praças públicas e instituições governamentais, bem como participações em programas de rádio e televisão, não se limitando a campanhas pontuais como o Outubro Rosa ou o Novembro Azul.

Isabel Vunda realçou também a transformação do antigo Centro Nacional de Oncologia em Instituto, assim como a introdução da radioterapia em 2012, como marcos importantes no combate ao cancro em Angola. Sublinhou ainda o papel do Departamento de Ensino e Investigação, que reforça a componente científica e académica da instituição.

Apesar dos avanços alcançados, a médica reconheceu que persistem desafios significativos, sobretudo no que se refere à descentralização dos serviços.

Nesse contexto, lembrou a existência de um centro de oncologia pediátrica em Cacuaco e dos serviços de oncologia mamária no Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé”, que contribuem para aliviar a pressão sobre o IACC.

Por fim, Isabel Vunda explicou que o cancro resulta de alterações no metabolismo do organismo, caracterizadas pelo crescimento desordenado das células, com capacidade de invadir órgãos vizinhos e provocar metástases à distância.

Acrescentou que a maioria dos pacientes chega às unidades de saúde em fase avançada da doença, o que obriga frequentemente ao recurso à quimioterapia isolada ou associada à radioterapia.

No domínio da prevenção, a especialista sublinhou a importância dos exames de rastreio para o cancro do colo do útero, da mama, da próstata e alguns tipos gastrointestinais, defendendo que a educação para a saúde é fundamental. “Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maior é a probabilidade de cura”, concluiu.

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