
Angola anunciou a descoberta de mais de 15 triliões de pés cúbicos de gás natural, um potencial que poderá ascender a cerca de 50 triliões, revelou esta sexta-feira, em Luanda, a administradora executiva da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), Ana Miala.
A responsável falava à imprensa à margem de uma conferência de imprensa alusiva aos sete anos de existência da ANPG, onde explicou que, na sequência da descoberta, estão actualmente em curso estudos de subsuperfície, bem como trabalhos de avaliação e testes ao gás identificado.
Ana Miala defendeu a necessidade de reforçar o investimento privado em infra-estruturas, com vista a permitir o aproveitamento do potencial gasífero agora identificado, sublinhando que o gás representa uma oportunidade estratégica para a diversificação da economia nacional.
A administradora recordou que, em 2018, Angola não dispunha de um quadro legal suficientemente atractivo que permitisse aos investidores desenvolver e comercializar o gás de forma competitiva, situação que viria a ser alterada com a aprovação de nova legislação, factor que contribuiu para a valorização deste recurso energético.
Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração da ANPG, Paulino Jerónimo, que orientou a conferência de imprensa, considerou que o gás natural poderá assumir um papel relevante na geração de emprego e de riqueza para o país, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do sector energético.
No domínio do conteúdo local, o administrador executivo da ANPG, Artur Custódio, informou que actualmente cerca de três mil e 500 empresas estão catalogadas no sector, distribuídas pelos regimes de exclusividade, preferência e concorrência.
Estas empresas representam aproximadamente 12 por cento do total de prestadores de serviços na indústria petrolífera nacional.
A conferência de imprensa foi antecedida pelo lançamento da nova identidade visual da ANPG, inserida numa estratégia de comunicação extra-institucional, descrita como mais simples, impactante e orientada para a geração de valor.
A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis foi criada em 2019, através do Decreto Presidencial n.º 49/19, com a missão de assumir o papel de Concessionária Nacional, regulando as actividades de exploração e produção no segmento “upstream” do sector petrolífero.
A criação da ANPG visou a reestruturação do sector, com a transferência das funções de concessão anteriormente exercidas pela Sonangol, reforçando a eficácia, a transparência e a atracção de investimento privado nas áreas do petróleo, gás e biocombustíveis.