Caça às bruxas na Casa Militar do Presidente da República
Caça às bruxas na Casa Militar do Presidente da República
gen furtado

Um grupo de trabalhadores eventuais afectos à Casa Militar do Presidente da República foi afastado das suas funções na sequência de reclamações sobre atrasos no pagamento de salários relativos a uma missão realizada na província do Cuando Cubango, no âmbito da construção da base para um hospital de campanha na cidade de Mavinga.

O Imparcial Press noticiou (vide aqui: Trabalhadores da Casa Militar do PR exigem pagamento por obras realizadas no Cuando) em primeira-mão que cerca de 26 trabalhadores foram enviados para Mavinga em Junho do ano passado, onde permaneceram durante aproximadamente três meses e duas semanas, executando trabalhos de implantação da infra-estrutura.

No entanto, ao longo desse período, terão recebido apenas o equivalente a um mês de remuneração, ficando em falta dois meses e parte do subsídio correspondente ao tempo adicional de serviço.

As mesmas fontes indicam que, após a divulgação pública da situação, foi efectuado o pagamento de apenas mais um mês de salário a parte dos trabalhadores, permanecendo outros sem qualquer regularização.

Paralelamente, todos os funcionários eventuais envolvidos na missão terão sido colocados, dias depois da publicação na notícia, fora da unidade militar pelo tenente-coronel Camate, numa decisão interpretada pelos visados como uma retaliação pelas queixas tornadas públicas.

De acordo com relatos recolhidos, responsáveis da Casa Militar terão promovido reuniões com antigos integrantes da missão em Mavinga, alegadamente com o objectivo de identificar quem terá prestado informações ao Imparcial Press, em detrimento da clarificação dos valores em atraso e da definição de um calendário de pagamentos.

Os trabalhadores afirmam que, em vez de um reconhecimento das falhas administrativas e financeiras, se instalou um ambiente de pressão e desconfiança, marcado por investigações internas e ameaças implícitas, sobretudo dirigidas aos trabalhadores eventuais, considerados mais vulneráveis.

As fontes do Imparcial Press sublinham ainda que atrasos salariais em missões similares não constituem um caso isolado, referindo que há funcionários da Casa Militar que cumprem missões prolongadas sem receber salários ou subsídios durante vários meses, apesar das dificuldades pessoais e familiares daí decorrentes.

A missão em Mavinga terá sido realizada por orientação superior, atribuída ao general de Exército na reforma Francisco Pereira Furtado, ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, sob coordenação do brigadeiro José Benedito Sangongo, director de Logística e Infra-Estruturas, e do tenente-coronel Camate.

Os trabalhadores defendem que a prioridade deveria passar pela regularização integral dos valores em dívida e pela adopção de práticas de gestão mais transparentes e humanizadas, sublinhando que a reivindicação se limita ao pagamento do trabalho efectivamente prestado, sem qualquer intenção de confronto institucional.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido