João Sionguele afastado de funções executivas na Lwei Mansamusa Brokers
João Sionguele afastado de funções executivas na Lwei Mansamusa Brokers
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João Sandumbo Sionguele foi afastado das funções executivas na Lwei Mansamusa Brokers – SCVM, S.A., considerada a maior corretora independente de valores mobiliários em Angola, na sequência de alegações de má conduta profissional e de decisões de gestão contestadas pelos accionistas da instituição, apurou o Imparcial Press junto de fontes ligadas ao processo.

Segundo informações recolhidas, Sionguele deixou de exercer o cargo de Presidente do Conselho de Administração (PCA) Executivo, passando a desempenhar funções como administrador não executivo, por deliberação dos accionistas, que entenderam existir fragilidades na condução estratégica da corretora, com impacto no programa de crescimento e expansão da empresa.

A substituição formal deverá ser anunciada nos próximos dias, embora o nome do futuro responsável executivo ainda esteja a ser mantido em sigilo.

Fontes do Imparcial Press indicam que o consulado de João Sionguele ficou marcado por divergências frequentes com outros sócios, dificuldades de articulação interna e conflitos de agenda decorrentes da acumulação de funções no sector público, situação que terá limitado o seu envolvimento efectivo na gestão quotidiana da corretora.

De acordo com as mesmas fontes, na Lwei Mansamusa Brokers existe a prática de renovação automática do mandato, por períodos de três anos, para executivos que apresentem resultados considerados excepcionais, o que não terá ocorrido no caso de Sionguele.

Entre os factores apontados estão a ausência de resultados concretos ao nível da expansão do negócio, bem como despesas consideradas excessivas com acções de comunicação e promoção pessoal, incluindo relações com jornalistas e influenciadores digitais, sem reflexo directo no desempenho financeiro da instituição.

Nos corredores da empresa e entre alguns parceiros do mercado, João Sionguele passou a ser alvo de críticas veladas e ironias, sendo referido informalmente, segundo fontes ouvidas pelo Imparcial Press, como alguém mais focado na construção de uma imagem pública reformista do que na entrega de resultados mensuráveis, uma percepção que terá pesado na decisão dos accionistas.

A administração da Lwei Mansamusa Brokers optou, entretanto, por manter discrição quanto aos detalhes do processo de reorganização interna, limitando-se a confirmar que está em curso um reforço do modelo de governação corporativa, com maior peso de administradores não executivos.

Esta estratégia enquadra-se na intenção da instituição de evoluir, a médio prazo, para Empresa Financeira de Investimento, num contexto de crescente exigência regulatória e competitiva no mercado de capitais angolano.

Analistas do sector financeiro consideram que situações desta natureza, embora sensíveis, não são incomuns em empresas em fase de consolidação, sobretudo quando há desalinhamento entre ambição pessoal e responsabilidade institucional.

Os especialistas sublinham a importância de mecanismos internos de controlo, avaliação de desempenho e responsabilização de gestores de topo, como forma de preservar a credibilidade das instituições e a confiança do mercado.

A Lwei Mansamusa Brokers é uma das principais sociedades de intermediação financeira em Angola, com presença regular no mercado primário e secundário da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA).

A corretora destaca-se por ser o único agente autónomo a participar em operações de oferta pública inicial (IPO), ao lado de instituições ligadas a grandes grupos bancários, como a Áurea (BAI), BFA Capital Markets (BFA) e Caixa Angola.

Criada ao abrigo do Decreto Legislativo Presidencial n.º 5/13, de 9 de Outubro, a Lwei Mansamusa Brokers dedica-se à intermediação financeira, gestão não discricionária de carteiras de investimento, estudos e análises de mercado e consultoria de investimentos.

João Sandumbo Sionguele é licenciado em Economia, Finanças e Negócios Internacionais pela Universidade Oxford Brookes, no Reino Unido, e possui um mestrado em Finanças e Gestão de Risco pela Universidade de Bath.

Ingressou no sector financeiro em 2018, no Banco Millennium Atlântico, como analista de mercados financeiros, tendo posteriormente passado pela BODIVA como analista de Desenvolvimento de Mercado.

O seu percurso inclui ainda funções de coordenação no Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), onde integrou o grupo técnico de privatizações e dirigiu o Departamento de Privatização e Reestruturação de Empresas entre 2021 e 2024, acumulando esse cargo com funções de vogal do Conselho Fiscal da Empresa de Gestão de Terrenos Infra-estruturados (EGTI, EP).

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