As consequências de transformar o SINSE em ruído político – Edson de Sousa Manexi
As consequências de transformar o SINSE em ruído político - Edson de Sousa Manexi
fern miala

Entre os debates mais intensos que permeiam a sociedade angolana, uma questão que não pode ser colocada em segundo plano certamente é a vida interna do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE).

No país, dois nomes ecoam frequentemente pelo seu activismo e escritos directos sobre o assunto: ‎Carlos Alberto, jornalista e director do portal “A Denúncia”, é um dos principais rostos do movimento e tem escrito inúmeros artigos sobre o tema, trazendo críticas directas ao actual chefe do SINSE, como por exemplo, a ausência de uma saudação num cortejo fúnebre, a elegibilidade ou não para o cargo de Presidente da República. Carlos Alberto, fala sobre abuso de poder sem no entanto mostrar provas contundentes.

Miguel Ângelo, sociólogo, quadro sénior do SINSE, ficou conhecido por falar e escrever abertamente no seu livro com o título “Estado Falcatruado”, tendo contribuído pouco para o fortalecimento da opinião pública, para o debate nacional sobre o SINSE, isto, pelo facto de discorrer sobre suposições, e probabilidades enchendo com incógnitas a massa cinzenta de quem o lê.

Além destes, outras figuras como criminalista Waldemar José, o jurista Joaquim Jaime, também têm subscrito sobre o tema para defender e elucidar sobre a amnistia assinada pelo Presidente da República que anulou o cadastro do actual Chefe do SINSE, e sobre o poder discricionário do Presidente da República que o nomeou.

No entanto, consuetudinariamente, criticar quem gere o SINSE, sem bases sólidas em fóruns impróprios, na minha perspectiva, não é uma missão de segurança nacional, nem tão pouco ético e muito menos politicamente correcto.

Algumas instituições devem ser tratadas com uma reverência especial dada a natureza das mesmas. A mística em torno do SINSE, deve sim, gerar debates desde que sejam construtivos e tragam soluções para manter a reputação de infalibilidade e omnipresença com fito das missões do SINSE continuarem a gerar resultados.

Falar do SINSE de forma banal, pode na minha óptica, desmistificar e enfraquecer o poder psicológico que a instituição tem e conquistou desde os primórdios da nossa independência.

Os constantes ruídos políticos envolvendo o nome do SINSE, acabam por comprometer a credibilidade e a confiança da própria instituição.

Não obstante o risco, o SINSE, na minha opinião, tem optado pelo silêncio sobre as polémicas para salvaguardar a sua natureza baseada na confidencialidade, focando-se em assessorar o Chefe de Estado com informações estratégicas, e não fazer declarações públicas, o que deixa mais irritado os protagonistas do movimento.

Sendo simplesmente um artigo de opinião, acredito que, o SINSE, na pessoa do seu chefe, general Fernando Garcia Miala, está focado em actuar de forma discreta para detectar, neutralizar ou obstruir ameaças que põem em causa a segurança nacional, daí, a não atenção a certas balelas.

Em sociedades democráticas, os cidadãos têm o direito de discutir sobre as acções das instituições públicas e privadas, questionando-as se as mesmas estão alinhadas com os valores éticos e legais do país, não pressupondo a banalização.

Portanto, o meu artigo de opinião não sugere procrastinar, ou congelar a discussão sobre o tema, pelo contrário, apela que se façam debates mais sérios com factos e não suposições, com especialistas em plataformas que utilizam o método científico, observam a imparcialidade e com tutela jornalística tradicional.

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