
Cerca de 70 trabalhadores afectos ao Centro Cultural Paz Flor, espaço pertencente à Sonangol, denunciaram ao Imparcial Press alegadas situações de precariedade laboral, discriminação salarial e tratamento considerado injusto por parte da direcção de Recursos Humanos da petrolífera nacional.
Segundo fontes ligadas ao grupo, muitos dos trabalhadores exercem funções no Centro Cultural Paz Flor há mais de 15 anos, sem nunca terem sido integrados nos quadros efectivos da empresa.
Ainda de acordo com os relatos, a direcção de Recursos Humanos da Sonangol, liderada por Aurora Cardoso, sustenta que estes colaboradores não são funcionários da companhia, apesar do vínculo prolongado.
Os trabalhadores afirmam que, recentemente, a Sonangol procedeu à actualização salarial de vários sectores, tendo o Centro Cultural Paz Flor ficado de fora do processo.
Acrescentam ainda que, no âmbito das celebrações dos 50 anos da empresa, marcadas para o dia 25 de Fevereiro, terão sido advertidos de que poderiam ser impedidos de participar nas actividades comemorativas, na sequência de comentários feitos por alguns colegas em vídeos divulgados nas redes sociais.
As mesmas fontes indicam que o grupo recorreu ao sindicato STMEQ, que, há cerca de três anos, tenta mediar o conflito. Contudo, segundo os trabalhadores, as tentativas de diálogo têm sido infrutíferas, alegando que reuniões são frequentemente adiadas ou delegadas a técnicos sem poder de decisão.
Num outro episódio relatado às fontes do Imparcial Press, Aurora Cardoso terá afirmado, durante uma reunião, que determinados trabalhadores “nunca seriam efectivos da empresa” enquanto ela integrasse os órgãos de direcção.
Trabalhadores que dizem ter sido afastados ou prejudicados no processo acusam a responsável de agir com “arrogância e prepotência”, sustentando que beneficia de protecção institucional ao mais alto nível da empresa.
Em resposta, os colaboradores sublinham que não solicitam favores, mas sim o reconhecimento de direitos consagrados na Lei Geral do Trabalho.
“Estamos apenas a exigir aquilo que nos é devido, fruto de muitos anos de trabalho e esforço. Não trabalhámos aqui para sermos esquecidos, enquanto amanhã outros ocupam os nossos lugares”, afirmam.