
A crise instalada no Médio Oriente, na sequência dos ataques lançados desde o último sábado pelos Estados Unidos da América e por Israel contra o Irão, já começa a produzir impactos significativos no mercado internacional do petróleo.
Entre os principais beneficiários deste cenário está Angola, cuja economia depende fortemente da exportação de crude.
O preço do barril de Brent, referência para as exportações angolanas, disparou para 78,37 dólares no mercado de futuros de Londres, registando um ganho de cerca de 13%.
A valorização do crude surge num contexto de receios quanto à estabilidade do fornecimento mundial, num momento em que o conflito ameaça alastrar-se na região.
O crude do Mar do Norte, com entrega prevista para maio, tem estado sob forte pressão devido às acções militares e às possíveis repercussões geopolíticas no Médio Oriente, uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo.
Um dos pontos mais sensíveis da actual conjuntura é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transita cerca de 20% do consumo mundial de petróleo.
Com o agravamento do conflito regional, o transporte marítimo naquela via poderá ser comprometido, aumentando ainda mais as tensões nos mercados energéticos.
Para Angola, o cenário representa uma folga financeira importante. O Orçamento Geral do Estado (OGE) para o exercício económico de 2026 foi elaborado com base num preço médio de 61 dólares por barril e numa previsão de produção diária de um milhão e 50 mil barris.
Com o Brent a negociar significativamente acima desse valor de referência, o país poderá arrecadar receitas adicionais relevantes, reforçando a sua capacidade orçamental.
O preço do Brent é utilizado para estabelecer o valor de venda desta matéria-prima nos mercados internacionais, servindo igualmente de referência para a indústria petrolífera global e para as decisões estratégicas da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
Especialistas ouvidos pelo Imparcial Press alertam, contudo, que apesar dos ganhos imediatos, a volatilidade dos mercados e a imprevisibilidade do conflito recomendam prudência na gestão das receitas extraordinárias que possam advir desta conjuntura internacional.