
A empresária angolana Elizabeth Zenilda Dias dos Santos Pereira Burity renunciou recentemente à gerência de várias empresas familiares, numa decisão que surge em meio a tensões internas após a morte do seu pai, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, antigo vice-Presidente da República.
Numa carta dirigida à sua madrasta, em posse do Imparcial Press, Maria Augusta Tomé Dias dos Santos, a empresária justifica a decisão com a existência de “sinais sub-reptícios de suspeições” sobre a sua lealdade e transparência na gestão dos negócios da família.
Como consequência, renunciou à administração de cinco empresas, nomeadamente Fazenda A Pérola do Kikuxi, Nutrimix, MarFresco, Doca Real e Fabripeixe, mantendo apenas a posição de sócia numa delas.
Segundo o documento, as renúncias já foram formalmente comunicadas às entidades competentes do Estado, deixando a empresária de praticar quaisquer actos de gestão ou representação nas referidas sociedades.
A decisão ocorre num contexto de forte tensão familiar, agravado após o falecimento do também ex-presidente da Assembleia Nacional, em Dezembro do ano transacto.
Dias antes, Elizabeth Burity havia anunciado publicamente a intenção de fazer uma comunicação ao país, referindo viver um período de “profundo sofrimento pessoal e familiar”. Na ocasião, descreveu a perda do pai como um momento marcante e falou de um “longo calvário” que a levou ao silêncio.
Na mesma altura, a empresária dirigiu críticas à madrasta, com quem afirma manter um relacionamento difícil há mais de três décadas, alimentando especulações sobre disputas no seio familiar relacionadas com património e gestão empresarial.
Apesar de ter recuado na intenção de fazer uma declaração pública mais detalhada, após aconselhamento de familiares, a renúncia agora formalizada representa o primeiro acto concreto no afastamento da empresária da gestão directa dos negócios da família.
Conhecida no meio empresarial como uma das principais figuras do sector agroalimentar angolano, Elizabeth Burity lidera o projecto avícola Kikovo, considerado o maior do país, com uma produção diária de cerca de um milhão de ovos.
A sua saída da gestão de várias empresas familiares poderá ter impacto na estrutura e condução dos negócios ligados ao grupo, num momento em que persistem incógnitas sobre a reorganização interna e o desfecho das divergências familiares.