
O investigador angolano Lando Simão Miguel volta a destacar-se no panorama internacional da segurança e defesa, ao ser anunciado como um dos especialistas convidados para a conferência “The Ukraine War: A Masterclass in Modern Power Politics”, marcada para o próximo dia 31 de Março, em Viena, Áustria.
A participação do académico angolano num dos fóruns internacionais mais prestigiados dedicados à análise da guerra na Ucrânia e às actuais dinâmicas de poder global é vista como mais um sinal da crescente afirmação de quadros angolanos em espaços de debate estratégico de alto nível.
A presença de Lando Simão Miguel no evento reforça, igualmente, a visibilidade internacional de jovens investigadores africanos em matérias tradicionalmente dominadas por especialistas europeus e norte-americanos, num contexto em que os temas ligados à segurança, defesa, inteligência e geopolítica assumem cada vez maior centralidade nas agendas internacionais.
Lando Simão Miguel é estudante de doutoramento em História, Estudos de Segurança e Defesa no Iscte-IUL, em parceria com a Academia Militar, estando também ligado ao CEI-Iscte (Centro de Estudos Internacionais).
O seu percurso académico inclui ainda formações avançadas em instituições de referência internacional, com destaque para programas e cursos frequentados em entidades como a Harvard University, a Georgetown University, na área de terrorismo e contraterrorismo, e o International Business Management Institute, em Berlim, entre outras formações ligadas à gestão estratégica e operações de alto risco.
Nos últimos anos, o investigador angolano tem vindo a consolidar-se como uma voz activa em debates sobre serviços de inteligência, segurança do Estado, conflitos armados, cibersegurança e ordem pública, com intervenções e análises que têm suscitado atenção em círculos académicos e institucionais.
Entre os temas que mais têm marcado a sua produção analítica está a necessidade de modernização dos serviços de inteligência em Angola, com propostas voltadas para a adaptação do sistema nacional às novas ameaças globais, incluindo o terrorismo, o crime organizado transnacional, a espionagem económica e os ataques cibernéticos.
Lando Simão Miguel tem igualmente defendido a criação de um Centro de Investigação e Altos Estudos de Inteligência Militar em Angola, como instrumento de reforço técnico, doutrinário e estratégico do aparelho de defesa e segurança nacional.
No campo comparativo, o investigador tem analisado modelos internacionais de segurança, incluindo estruturas clássicas e contemporâneas de inteligência, defendendo para Angola um modelo híbrido, moderno e tecnologicamente robusto, ajustado às especificidades políticas, institucionais e geoestratégicas do país.
A participação na conferência de Viena surge num momento particularmente sensível da ordem internacional, com a guerra na Ucrânia a continuar a influenciar não apenas o equilíbrio militar na Europa, mas também as cadeias de abastecimento, as alianças estratégicas, a segurança energética e o reposicionamento de potências globais.
Ao longo das suas intervenções públicas, Lando Simão Miguel tem também abordado os impactos de conflitos internacionais em África, os riscos de instrumentalização geopolítica do continente e o papel crescente da tecnologia e da informação na redefinição das ameaças à soberania dos Estados.
As suas reflexões têm incluído ainda temas como a segurança africana, a fragilidade institucional, a governação estratégica e os desafios da segurança pública em contextos de rápida transformação social e económica.
Participação em outros fóruns internacionais
A presença em Viena junta-se a outras participações internacionais já registadas no percurso do investigador, entre as quais o NATO Public Forum, realizado em Haia, nos Países Baixos, em 2025, bem como conferências sobre segurança europeia, Indo-Pacífico, governação global e Estados fragilizados, realizadas em diferentes capitais e centros académicos internacionais.
Segundo informações ligadas ao seu percurso, o trabalho desenvolvido por Lando Simão Miguel tem despertado interesse junto de organizações e estruturas internacionais ligadas à segurança e defesa, que acompanham a sua evolução no debate estratégico contemporâneo.
A trajectória do jovem investigador é apontada por observadores como exemplo do potencial académico e técnico existente em Angola, num momento em que cresce o apelo à valorização dos quadros nacionais altamente qualificados.
A sua ascensão no circuito internacional da segurança e defesa reabre também a discussão sobre a necessidade de o país criar melhores condições para reter talento, promover investigação aplicada e aproximar a academia das instituições do Estado, especialmente em áreas sensíveis para a soberania e estabilidade nacional.
Num tempo em que a segurança deixou de ser apenas uma questão militar para passar a envolver tecnologia, economia, inteligência, diplomacia e gestão de crises, a presença de um angolano em fóruns desta dimensão representa não apenas um feito individual, mas também um sinal das possibilidades de inserção qualificada de Angola no debate global.