Angola contabiliza 42 mortos após chuvas torrenciais do fim-de-semana
Angola contabiliza 42 mortos após chuvas torrenciais do fim-de-semana
chuva

As chuvas intensas que se abateram sobre várias regiões de Angola no último fim-de-semana, em particular no dia 4 de Abril, já provocaram 42 mortos, além de desaparecidos, milhares de afectados e elevados danos materiais, segundo dados actualizados por fontes oficiais.

De acordo com o balanço mais recente, as vítimas mortais estão distribuídas por Luanda, com 12 mortos, Benguela, com 24, Cuanza Sul, com quatro, e Malanje, com dois. Só na capital angolana, o número de óbitos subiu de três para 12 nas últimas horas, mantendo-se ainda o registo de três desaparecidos.

As chuvas, acompanhadas por enxurradas, inundações repentinas e deslizamentos de terras, afectaram de forma severa várias zonas urbanas e periurbanas, sobretudo em áreas com histórico de vulnerabilidade, ocupação desordenada e insuficiência de sistemas de drenagem.

Em Luanda, os efeitos do temporal fizeram-se sentir nos 16 municípios da província, onde foram reportadas habitações danificadas e inundadas, quedas de árvores, transbordo de bacias de retenção, ravinas agravadas, deslizamentos de terras e constrangimentos na circulação rodoviária.

Na segunda-feira, o governador provincial de Luanda, Luís Nunes, reuniu a Comissão Provincial de Protecção Civil para avaliar o impacto das chuvas e coordenar as operações de resposta, incluindo sucção de águas pluviais, limpeza e desobstrução de colectores, remoção de árvores e assistência às famílias afectadas.

Em Benguela, a província mais afectada em número de vítimas mortais, o cenário foi igualmente severo, com registo de mortes, casas destruídas, embarcações danificadas e viaturas arrastadas pelas águas, segundo dados avançados pelas autoridades locais e pelos serviços de protecção civil.

As chuvas de 4 de Abril, data em que Angola assinala o Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, ocorreram após semanas de instabilidade atmosférica e num contexto em que várias zonas do país já vinham a apresentar sinais de saturação do solo e debilidade nas infra-estruturas de escoamento.

Em muitos bairros periféricos de Luanda e noutras cidades, o impacto foi agravado pela ocupação de linhas de água, construção em zonas de risco e insuficiência de valas de drenagem, um problema recorrente em épocas chuvosas no país.

Além das perdas humanas, os números preliminares apontam para milhares de famílias afectadas, residências inundadas ou destruídas, além de danos em infra-estruturas públicas, redes de energia, vias de acesso, centros de saúde e outros equipamentos sociais.

Em levantamentos anteriores, só em Luanda e Benguela tinham sido contabilizadas mais de 34 mil pessoas afectadas e milhares de casas atingidas.

Na segunda-feira, o Presidente angolano, João Lourenço, manifestou “profunda preocupação” com os estragos provocados pelas chuvas intensas e garantiu que as autoridades estão numa “corrida contra o tempo” para localizar e resgatar pessoas desaparecidas, além de prestar apoio às populações atingidas.

Na sua mensagem, o chefe de Estado apresentou condolências às famílias enlutadas e assegurou o empenho do Executivo na mobilização de meios humanos e técnicos para mitigar os efeitos da intempérie.

As autoridades mantêm equipas no terreno e apelam à população para evitar zonas de risco, margens de ravinas, cursos de água e áreas propensas a deslizamentos, numa altura em que se mantém a possibilidade de novas precipitações em algumas regiões do país.

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