UNITA critica entrevista de Sachipengo Nunda e acusa Presidência reabrir feridas da guerra
UNITA critica entrevista de Sachipengo Nunda e acusa Presidência reabrir feridas da guerra
Nunda

A UNITA acusou, no último sábado, órgãos afectos à Presidência da República de promoverem uma “campanha de ódio” e de tentarem reabrir feridas da guerra civil angolana, na sequência da entrevista concedida à Televisão Pública de Angola (TPA) pelo general reformado Geraldo Sachipengo Nunda sobre a morte de Jonas Savimbi.

O maior partido da oposição considerou que o pronunciamento do antigo chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas Angolanas, “directamente implicado” na morte do fundador da UNITA, não contribui para a consolidação da paz nem da reconciliação nacional, antes alimentando “animosidade, divisão e retrocesso no espírito de convivência pacífica”.

A formação liderada por Adalberto Costa Júnior afirma ter acompanhado com “surpresa e veemente indignação” a divulgação da entrevista, transmitida na semana das celebrações dos 24 anos da paz e da reconciliação nacional, acusando a estação pública de ter servido de instrumento para uma operação política orientada a partir da Presidência.

“Os angolanos sabem que na Angola de hoje a decisão de promover uma entrevista com aquele conteúdo não foi da TPA, mas certamente uma instrução recebida e decidida nos órgãos afectos à Presidência da República”, sustenta o comunicado do Comité Permanente da Comissão Política, enviado à redacção do Imparcial Press.

Sem mencionar directamente o Presidente João Lourenço, a UNITA questiona “o mais alto magistrado da Nação” sobre “por que caminhos pretende conduzir o país com actos de intoxicação das mentes promovidos pelos gabinetes afectos à Presidência”.

O partido critica ainda aquilo que considera ser uma tentativa de “destruição da memória histórica” de Jonas Savimbi, questionando os promotores da iniciativa sobre se desconhecem “as razões da necessidade de abraçar um processo de reconciliação”.

A direcção da UNITA entende que a paz e a reconciliação nacional “não podem ser tratadas com ligeireza” nem colocadas em causa por declarações que, no seu entender, reabrem feridas históricas e estimulam “leituras parciais e excludentes” da história angolana.

Na nota, o partido defende que nenhum dos protagonistas do conflito armado deve ser retratado como “absolutamente inocente ou exclusivamente culpado”, apelando a uma leitura “responsável, equilibrada e patriótica” da história nacional.

As declarações de Sachipengo Nunda, emitidas pela TPA, reacenderam o debate político em torno das circunstâncias da morte de Jonas Savimbi, abatido pelas forças governamentais em Fevereiro de 2002, episódio que marcou o fim da guerra civil angolana.

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