
Alguns filhos gerados na poligamia moderna já não vivem a mesma realidade dos filhos da poligamia antiga, sobretudo nas zonas urbanas, pois nas sanzalas ainda se conserva um pouco dessa tradição.
Hoje vemos muitos filhos gerados por pais que não sabem praticar a verdadeira poligamia e por mães que também não aprenderam como viver numa estrutura poligâmica, nem como partilhar a união familiar.
Na essência africana antiga, o verdadeiro objectivo da poligamia era unir a família alargada, fortalecer laços e garantir protecção colectiva. Hoje, infelizmente, vemos muitas vezes o contrário.
Na poligamia moderna, isso já não acontece com frequência. Existem muitos casos em que não há consenso entre as esposas.
Muitas mulheres vivem na poligamia moderna sem preparação:
Não há comunicação saudável dentro das famílias.
Muitos homens começam com uma esposa, fazem alambamento, constroem família e, quando a situação financeira melhora, trazem outra mulher, muitas vezes sem o consentimento da primeira esposa.
Isso tem gerado muitos conflitos.
A valorização da primeira esposa perde-se, a confiança quebra-se e muitas mães passam a viver angustiadas, amarguradas e, frequentemente, sem estabilidade financeira ou preparação psicológica e emocional para lidar com essa realidade.
Como resultado, surgem competições constantes entre as esposas.
Quando não existe verdade no início da relação, surgem feridas profundas:
Tudo isso provoca angústia, ódio e ressentimento. E quando a dor das mães não é curada, ela é transferida para os filhos.
Muitas crianças crescem:
Quando a mãe está ferida, insegura ou sem amor-próprio, muitas vezes essas inseguranças são transmitidas aos filhos.
Algumas mulheres vivem magoadas, revoltadas e até amaldiçoando os seus maridos, porque entraram na poligamia moderna sem preparação e sem consciência da realidade.
Muitos desses homens também cresceram sem orientação, sem instrução familiar e sem exemplo saudável de liderança dentro da família.
A psicologia mostra claramente que:
Quando o pai não está presente emocionalmente, a criança cresce procurando validação constante.
Quando existe rivalidade permanente dentro da família, cria-se um trauma sistémico que pode atravessar gerações.
Entretanto, esta discussão não é apenas sobre cultura. É sobre a saúde emocional das próximas gerações. Porque, no final, a pergunta mais importante é:
Que tipo de filhos estamos a formar para o futuro da nossa sociedade?
*Conselheira matrimonial & activista contra a Violência Doméstica e de Género