
Pelo menos cinco pessoas morreram e várias continuam desaparecidas na sequência das fortes chuvas e inundações registadas na província de Benguela, onde mais de 4.500 cidadãos foram retirados das zonas afectadas e acolhidos em centros de abrigo temporário.
Segundo o governador provincial, Manuel Nunes Júnior, as vítimas mortais resultam da situação de calamidade provocada pelo transbordo do rio Cavaco, após o rompimento do dique de protecção da margem esquerda, na zona das Bimbas, município de Benguela.
Em declarações aos jornalistas, o governador avançou que mais de 1.600 pessoas em situação de risco foram resgatadas, com apoio da Força Aérea Nacional, Marinha de Guerra e Serviço de Protecção Civil e Bombeiros.
“Há famílias deslocadas que perderam as suas casas e mais de duas mil pessoas estão a ser assistidas em locais seguros”, afirmou.
As autoridades montaram um centro de acolhimento provisório nas instalações do Campismo, na saída sul da cidade de Benguela, onde foram instaladas sete cozinhas comunitárias, tendas e pontos de abastecimento de água para apoio aos desalojados.
Manuel Nunes Júnior afirmou que a prioridade do executivo provincial continua a ser o salvamento de vidas humanas e o apoio às populações afectadas.
“É uma situação difícil que estamos a viver, pois o leito do rio Cavaco subiu muito. Houve uma inundação muito forte devido ao facto de, no interior da província, estar a chover torrencialmente. Isso influenciou o curso do rio e provocou este transbordo terrível”, declarou.
Segundo o responsável, a província enfrenta actualmente “dois grandes desafios”, um de natureza social, ligado ao apoio às famílias afectadas, e outro técnico, relacionado com a contenção das águas e recuperação das infra-estruturas danificadas.
As inundações afectaram sobretudo os bairros da Calomanga, Massangarala, Quioche, Cotel e Santa Teresa, na periferia de Benguela, mas atingiram também, de forma inédita, várias zonas da área urbana da cidade.
Áreas agrícolas e fazendas próximas ao rio encontram-se totalmente submersas, enquanto a circulação rodoviária entre Benguela e Lobito permanece interrompida por razões de segurança.
A intempérie afectou igualmente a linha do Caminho de Ferro de Benguela, suspendendo a circulação ferroviária entre as duas cidades.
Moradores relatam momentos de pânico, perdas materiais avultadas e fuga para zonas elevadas, enquanto outros aguardaram socorro nos tectos das habitações.
Mais chuva prevista
Apesar da situação crítica, o Instituto Nacional de Meteorologia prevê continuidade de precipitação para as próximas horas na região centro do país, incluindo a província de Benguela, com possibilidade de chuva fraca a moderada e ocorrência isolada de trovoadas até terça-feira.
As autoridades mantêm o alerta máximo e prosseguem os trabalhos de emergência e monitorização nas zonas mais vulneráveis.