
O processo de candidaturas à presidência do MPLA, aberto desde 28 de Março no âmbito do IX Congresso Ordinário do partido, ainda não registou qualquer candidatura formal, apesar de vários militantes já terem manifestado publicamente a intenção de disputar a liderança da maior força política do país.
A informação foi avançada esta quinta-feira, 16, pelo presidente da subcomissão de candidaturas, Job Pedro Castelo Capapinha, durante uma conferência de imprensa em Luanda, onde esclareceu que, até ao momento, nenhum militante apresentou oficialmente a sua candidatura ao cargo de presidente do partido.
“O processo das candidaturas foi aberto no dia 28 de Março deste ano. Até ao momento, nenhum militante formalizou a sua candidatura à presidência do partido”, declarou.
Segundo Capapinha, o período de submissão de candidaturas decorre até ao dia 25 de Outubro, sendo que a fase de validação está prevista para os dias 2 a 5 de Novembro.
A campanha eleitoral interna terá início no dia 6 de Novembro e terminará a 7 de Dezembro, antecedendo o congresso marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro, em Luanda.
Para concorrer à presidência do MPLA, os candidatos deverão reunir 5.000 assinaturas de militantes, incluindo 200 assinaturas em cada província do país, além de cumprir requisitos estatutários como possuir pelo menos 15 anos de militância, estar em pleno gozo dos direitos políticos e demonstrar fidelidade aos princípios e programa do partido.
Pré-candidatos já assumidos
Apesar da ausência de candidaturas formais, pelo menos dois nomes já surgem como principais rostos da corrida à sucessão interna no partido.
Um deles é o general na reforma Higino Carneiro, antigo governador de Luanda e figura histórica do MPLA, que anunciou em 2025 a sua intenção de disputar a presidência do partido, defendendo uma “revitalização profunda” da organização e o reforço da democracia interna.
Outro nome é o do engenheiro António Venâncio, militante veterano que também já assumiu publicamente a sua pré-candidatura e tem defendido uma liderança mais inclusiva, maior colegialidade nas decisões internas e o fortalecimento da participação das bases.
Além destes, outros militantes têm sido apontados nos bastidores como potenciais concorrentes, embora sem manifestações públicas robustas até ao momento.
O actual presidente do MPLA, João Lourenço, já afirmou anteriormente que a existência de múltiplas candidaturas não ameaça a unidade do partido, mas apelou à serenidade dos militantes, pedindo calma aos “mais apressados” e reiterando que o futuro líder será escolhido democraticamente no congresso.
O IX Congresso Ordinário do MPLA contará com 3.000 delegados provenientes de todas as províncias do país e da diáspora, e marcará o início do novo mandato partidário referente ao período 2026-2031, servindo igualmente de preparação estratégica para as eleições gerais de 2027.
Entre as principais novidades organizativas anunciadas para o congresso está a redução do número de membros do Comité Central para 593, menos 14,5% em relação à composição actual, mantendo-se os princípios de 55% de continuidade, 45% de renovação e a garantia de 50% de representação feminina nos órgãos colegiais.