João Lourenço retira poderes à vice-Presidente da República
João Lourenço retira poderes à vice-Presidente da República
Espe costa

O Presidente da República, João Lourenço, retirou à vice-Presidente da República, Esperança Costa, a coordenação de diversas comissões e órgãos governamentais, de acordo com publicações no Diário da República e informações de fontes ligadas à Presidência.

Entre as funções cessadas está a coordenação da Comissão Interministerial para a Coordenação e Avaliação do Plano Nacional de Desenvolvimento do Capital Humano (ACH 2023-2037), responsabilidade que lhe havia sido delegada em setembro de 2024. A condução desse órgão foi atribuída à ministra de Estado para a Área Social.

Esperança Costa deixou igualmente de coordenar outras comissões multissectoriais, passando essas responsabilidades para Maria do Rosário Bragança, nomeadamente a Comissão para a Implementação do Projecto de Empoderamento das Raparigas e Aprendizagem para Todos II (PAT II) e a Comissão de Luta contra o VIH/SIDA e as Grandes Endemias.

Fontes do Palácio Presidencial indicam que a decisão poderá estar relacionada com alegadas falhas no cumprimento de procedimentos protocolares.

Segundo essas fontes, a vice-presidente terá solicitado e obtido uma audiência com o Papa Leão XIV, durante a sua recente visita a Angola, sem dar conhecimento prévio ao Presidente da República.

O líder da Igreja Católica encontrava-se no país também na qualidade de Chefe de Estado do Vaticano, circunstância que, segundo as mesmas fontes, exigiria comunicação institucional prévia.

De acordo com relatos citados, Esperança Costa terá justificado o encontro como sendo de natureza pessoal, na qualidade de fiel católica, argumento que não terá sido acolhido pelo chefe do Executivo.

Com a retirada dessas responsabilidades, fontes indicam que a actividade institucional da vice-presidente poderá ficar mais limitada, centrando-se sobretudo em actos protocolares, como cerimónias oficiais e deslocações em representação conjunta com o Presidente.

Analistas consideram que o episódio reflecte a forma como o cargo de vice-presidente tem sido exercido no actual contexto governativo, marcado por atribuições essencialmente delegadas e visibilidade institucional reduzida.

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