Cólera volta a alarmar Benguela após inundações
Cólera volta a alarmar Benguela após inundações
Colera

A província de Benguela enfrenta um novo agravamento da situação sanitária, com o ressurgimento de um surto de cólera que já provocou mais de 100 mortes desde Fevereiro, semanas depois das inundações que causaram 19 vítimas mortais e vários desaparecidos.

Dados avançados pelas autoridades de saúde indicam que, apenas entre os dias 28 e 29 do corrente mês, foram notificados cerca de 50 novos casos da doença, sinalizando uma tendência de aumento que preocupa os serviços sanitários.

Segundo o director do Gabinete Provincial da Saúde, António Manuel Cabinda, o reaparecimento da cólera está directamente associado a factores estruturais, como a prática generalizada de defecação ao ar livre e o consumo de água não tratada, condições que facilitam a rápida propagação da doença.

“É necessário reforçar as acções de saneamento do meio e garantir o acesso à água potável, pois são factores determinantes para travar a cólera”, alertou o responsável, citado pela Rádio Nacional de Angola.

Os municípios da Baía-Farta, Navegantes e Benguela são actualmente os mais afectados, com destaque para a zona dos Navegantes, onde, desde Março, foram registados 97 casos e pelo menos dez mortes.

No bairro 4 de Abril, considerado epicentro do surto naquele município, o elevado nível de transmissão está associado à forte concentração populacional e às deficientes condições de saneamento, incluindo a existência de um dos maiores mercados informais a céu aberto da província.

A situação surge num contexto já fragilizado pelas recentes inundações no início do mês, que provocaram vítimas mortais e agravaram as condições de salubridade, contribuindo para a proliferação de doenças de origem hídrica.

As autoridades tinham anteriormente anunciado a interdição de praias nas zonas de Benguela e Navegantes, após análises laboratoriais preliminares indicarem a presença de contaminação fecal nas águas do mar, medida preventiva face ao risco de disseminação da cólera.

Para conter o surto, estão em curso acções de distribuição de água tratada, campanhas de sensibilização comunitária e reforço da vigilância epidemiológica.

As autoridades sanitárias apelam à população para procurar imediatamente assistência médica em caso de sintomas como diarreia e vómitos.

Apesar de o litoral concentrar a maioria dos casos, o interior da província também regista ocorrências. No município do Chongorói, há doentes internados, embora sem registo de óbitos até ao momento.

A cólera, doença infecciosa aguda associada à ingestão de água ou alimentos contaminados, continua a ser um desafio recorrente em várias regiões de Angola, sobretudo em períodos de chuvas intensas e em zonas com défices estruturais no abastecimento de água e saneamento básico.

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