O silêncio dos generais e do SINSE em Angola – António Martins
O silêncio dos generais e do SINSE em Angola – António Martins
generais angolanos

Um país sem espinha dorsal militar e segurança do Estado forte é um país sem travão para o abuso político“.

Diante de tudo que acontece, desde perseguições, prisões arbitrárias, abuso dos direitos humanos e do poder, onde é que estão os generais e o Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE) que têm o poder de fazer o poder político e aquele que governa tremer?

Em Angola, a estrela (patente de general) no ombro pesa menos que o medo no coração.

Nos países com generais de verdade, o Presidente da República governa com cautela. Sabe que existe uma linha vermelha vigiada por homens de farda que juraram à Constituição e defender a nação, não um partido político.

Em Angola, a lógica está invertida: são os generais que temem o Presidente da República. Temem a exoneração ou a despromoção, o processo, a prisão, o exílio.

Por isso se diz sem medo: Angola tem muitas fardas estreladas de generais, mas não tem generais. Se tivesse, o abuso contra este povo humilde já teria encontrado limite. Não é normal o que acontece em Angola!

General não é título. É uma função do Estado. Não deve o cargo (a patente e o poder) ao político do momento. Deve à Nação e à disciplina do exército.

A sua mera existência obriga o poder executivo a medir cada decreto que esmaga o cidadão, e quando os tribunais falham, parlamento cala e governo oprime, o general lembra que a Pátria está acima do partido e de todos os interesses individuais e de uma menoria.

Angola construiu um exército de obedientes, não de comandantes. Nenhum oficial chega a general sem prova de lealdade pessoal ao Chefe do Estado. A Pátria vem depois, o homem vem primeiro.

Tanto na esfera política como civil, angola está assim: Se falares (criticares), amanheces arguido. Se te calares, ganhas terrenos, viaturas, emprego ou cargo.

Patenteamento virou negócio por indicação, a meritocracia e competência foram extinto do plano de gestão e governação.

Resultados: temos incompetentes no poder e na gestão pública, policiais, FAA, tribunais e SINSE que só entram em combate quando é para calar o próprio povo.

Uma pergunta: por que o poder político não teme os generais?

Um governo só respeita quem pode limitar o seu poder. Os generais angolanos foram transformados em agentes administrativos da Presidência, com salários grossos, promoções, pensões, licenças de exploração de recursos e outros bens e serviços.

Enquanto os generais andam cafricados pelo poder político, o serviço de inteligência gasta mais tempo a grampear, perseguir e ameaçar os activistas e todos aqueles que levantam a voz em defesa do povo, em vez de caçar os que saqueiam o erário em benefícios próprios prejudicando o país.

Um país onde só um poder tem arma, dinheiro e caneta, não é democracia. É monarquia com eleições.
País rico com povo miserável é o atestado de óbito de uma geração de generais que escolheu a reforma antecipada da consciência.

N.B.:
O dia em que um general angolano, perante a miséria do povo, pousar o boné na mesa e disser ao Presidente da República, ministro ou qualquer governante ilusionista o seguinte: a minha lealdade é com a constituição e a nação que jurei defender, nesse dia Angola terá descoberto o que é um general.

Até lá, temos apenas homens com patentes de generais no ombro e medo no peito. E o povo a pagar as contas.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido