
Os quadros reformados da inteligência militar provenientes das antigas FAPLA manifestam descontentamento com o MPLA, acusando o partido de não promover o seu enquadramento nas estruturas internas, ao contrário do que, segundo afirmam, tem ocorrido com antigos elementos das FALA na UNITA.
Segundo fontes ouvidas pelo Imparcial Press, estes antigos quadros, com experiência acumulada no então Serviço de Inteligência Militar (SIM), actualmente Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), consideram que estão a ser marginalizados, apesar do papel desempenhado ao longo de décadas no tempo do partido único.
Os queixosos referem que, enquanto a UNITA tem vindo a integrar e valorizar antigos quadros da sua estrutura militar e de inteligência, permitindo-lhes manter uma participação activa na vida política, no caso do MPLA verifica-se a ausência de mecanismos que possibilitem o aproveitamento semelhante dos seus próprios quadros históricos.
A situação é considerada paradoxal, tendo em conta que muitos destes profissionais dispõem de experiência relevante em áreas como organização, administração e gestão de contextos complexos, competências potencialmente úteis tanto para o partido como para o Estado.
Para além da vertente política, os visados alertam para a falta de enquadramento institucional mais abrangente, sublinhando a inexistência de um quadro legal que permita a sua reintegração em funções de assessoria, formação ou apoio estratégico.
Os mesmos entendem que esta realidade pode traduzir-se na perda de um capital humano significativo, defendendo a adopção de políticas que permitam o seu reaproveitamento, quer ao nível partidário, quer institucional.