Conselho de Honra do MPLA pressiona João Lourenço a desistir da sucessão
Conselho de Honra do MPLA pressiona João Lourenço a desistir da sucessão
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Membros do Conselho de Honra do MPLA estarão a aconselhar João Lourenço a retirar a candidatura à presidência do partido e a abrir caminho para que o general na reforma Higino Carneiro dispute a liderança, numa altura em que a sucessão interna expôs profundas divisões no seio da formação política.

Segundo fontes do Imparcial Press, João Lourenço voltou a reunir recentemente com o seu núcleo político mais próximo para reavaliar o impacto da intenção de Higino Carneiro e decidir se mantém a intenção de concorrer à própria sucessão.

A movimentação ocorre depois de Higino Carneiro ter apresentado a sua candidatura à liderança do MPLA, acompanhada de milhares de subscrições e de apoios de figuras históricas e antigos dirigentes do partido. A candidatura, contudo, foi posteriormente considerada nula pela Subcomissão de Candidaturas do IX Congresso do MPLA.

A estrutura partidária alegou ter identificado irregularidades nas subscrições apresentadas pelo general, incluindo assinaturas consideradas inválidas e documentos que o partido classificou como falsos.

A decisão, que poderá ainda ser objecto de revisão, afastou, por enquanto, Higino Carneiro da corrida formal à liderança, mas não impediu que o seu nome continuasse a movimentar sectores do partido e a alimentar o debate sobre a sucessão.

Entre as figuras apontadas pelas fontes do Imparcial Press estão Roberto de Almeida, Carolina Cerqueira, Boavida Neto, Pitra Neto, Luísa Damião, Dino Matrosse, Luzia Inglês e outros antigos dirigentes, além de generais na reserva, na reforma e no activo.

A dimensão e, sobretudo, a origem destes apoios continuam a preocupar o círculo político de João Lourenço, perante a possibilidade de uma disputa aberta no congresso.

O cenário ganha particular relevância pelo facto de parte da chamada “velha guarda” do MPLA, incluindo figuras com peso histórico na organização, continuar alegadamente alinhada com Higino Carneiro.

As mesmas fontes sustentam que uma eventual decisão de João Lourenço de não avançar para a disputa poderá marcar positivamente o final da sua liderança partidária e Presidência da República .

Caso João Lourenço aceite as recomendações que lhe estarão a ser transmitidas pela maioria dos membros do Conselho de Honra, o cenário poderá alterar profundamente o processo de sucessão no partido que governa Angola desde a independência.

Por enquanto, João Lourenço mantém-se formalmente na corrida à liderança do MPLA, enquanto Higino Carneiro permanece afastado da disputa na sequência da decisão da estrutura responsável pela análise das candidaturas.

O eventual recuo do actual líder do MPLA, a confirmar-se, abriria uma nova fase na disputa pela liderança do partido e colocaria em cima da mesa uma sucessão muito diferente daquela que a actual direcção vinha a preparar.

De realçar que o Conselho de Honra do MPLA é um órgão de carácter consultivo que reúne algumas das principais figuras históricas e antigos dirigentes do partido, funcionando como uma estrutura de aconselhamento da liderança.

Composto por 33 membros, o órgão integra personalidades com longa experiência política e partidária, incluindo antigos dirigentes e figuras de referência do MPLA, além do actual presidente do partido, João Lourenço.

Entre as suas principais atribuições está o aconselhamento do presidente do MPLA sobre questões de grande importância para o partido e para o país, bem como a contribuição para a preservação dos princípios, valores e legado histórico da organização.

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