
A reestruturação do consórcio responsável pela exploração de nióbio em Quilengues, província da Huíla, resultou na entrada de uma empresa gerida por um familiar do ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Pedro Azevedo.
Segundo o Club-K, o projecto foi inicialmente desenvolvido através da Sociedade de Exploração de Quilengues (SEQUIL), constituída com 60% da estatal ENDIAMA e 40% da empresa BLUE Mining.
A ENDIAMA terá entrado no projecto por orientação do então Presidente José Eduardo dos Santos, que considerava a empresa estatal com capacidade financeira e técnica para desenvolver a exploração.
Inicialmente o projecto chegou a prever um financiamento de 300 milhões de dólares junto do banco russo VTB, mas o montante não terá sido mobilizado na sequência das alterações introduzidas na estrutura do empreendimento.
Em 2017, a empresa Doriouro reclamou cerca de 8,5 milhões de dólares pelos trabalhos de prospecção realizados.
Após a mudança de liderança política no regime angolano, a ENDIAMA deixou de integrar o projecto e foi substituída pela Ferrangol, tendo posteriormente sido criada a NIABONGA, em Novembro de 2018, para dar continuidade à exploração do nióbio.
Entre os novos intervenientes surge a VEREJO, Lda., gerida por Nuno Telmo Azevedo Loures, identificado como sobrinho de Diamantino Azevedo. A presença da empresa no consórcio é apontada no relatório como uma possível situação de conflito de interesses.
A estrutura apresentada para o consórcio NIABONGA é composta pela Sunshine Group Industry (55%), Ferrangol – Prospecting and Production (15%), Doriouro – Sociedade de Exploração Mineira (15%), Chinangol (10%) e VEREJO, Lda. (5%).
A BLUE Mining, que integrava o consórcio original, chegou a acusar a actual configuração de ter afastado parceiros anteriormente aprovados e de favorecer interesses privados, tendo, segundo a documentação consultada, apresentado reclamações junto de sectores dos serviços de inteligência e segurança do Estado.
Avaliado em cerca de 150 milhões de dólares, o projecto prevê uma produção anual estimada de 8.000 toneladas de ferronióbio.
O Governo considera o nióbio um recurso estratégico para a diversificação económica e captação de divisas, enquanto a sua exploração poderá gerar receitas para o Estado através de royalties, impostos e exportações.