A vaidade útil de João Lourenço – Jorge Eurico
A vaidade útil de João Lourenço - Jorge Eurico
Silvia Lutu

Sílvia Lutucuta é uma ministra que mostra como se faz. É uma das poucas vaidades que ainda sobram à Administração Lourenço. E, às vezes, tem estalos que fazem o Titular do Poder Executivo parecer competente. Sílvia Lutucuta pensa. Executa. Põe a mão na massa. E os pés no terreno. João Lourenço fica com os louros. Brilha. Fica sob a luz dos holofotes.

Morrem médicos num acidente de viação. A ministra está presente. Há um despiste de grandes proporções na Estrada Nacional Número 100. A ministra enverga a bata. Fica no hospital. Dirige as operações. Há inauguração de uma unidade hospitalar. Lá está a ministra, com o seu sorriso Colgate. Dá o palco todo a João Lourenço.

O último estalo de Sílvia Lutucuta é integrar. Reter. Valorizar quadros experientes e profissionais qualificados do sector que dirige. Para fortalecer o Sistema Nacional de Saúde. Digam lá se não é uma ideia bestial. E se essa iniciativa não faz João Lourenço parecer competente. Com visão holística para a Saúde.

O recrutamento e a distribuição estratégica de médicos especialistas, enfermeiros e gestores seniores fazem parte do plano do Ministério da Saúde. O objectivo é melhorar a assistência e a gestão hospitalar nas províncias. Bem haja! Sílvia Lutucuta deixa muitos colegas do Executivo abaixo da altura do chinelo.

Contraposição. No MINTTICS passa-se o inverso. Ali, os quadros experientes são mandados compulsivamente para casa. Os medianos são promovidos a chefes. O resultado está à vista: Estúdios novos. Conteúdo velho. Microfones novos. Discurso velho.

Mário Oliveira é um desastre. E quem o promoveu é um Professor Pardal às avessas. Informação para quem não sabe: O Professor Pardal é uma personagem da Disney. Do universo do Pato Donald. Das revistas de quadradinhos.

O original inventava coisas que davam certo. O nosso desinventa o que já funcionava. A comunicação social é uma das traves-mestras da democracia. Mário Oliveira não sabe disso. E o seu Pardal também não. No fim, ficam as evidências.

Sílvia Lutucuta é a prova de que o Executivo ainda tem quadros. Mário Oliveira é a prova de que o Executivo não os quer.

João Lourenço fica no meio. A posar para a fotografia que Lutucuta tirou. E a pagar a conta da fotografia que Oliveira estragou.

*Jornalista

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