EUA terão recusado visto ao PCA da Sonangol que pretendia integrar delegação de João Lourenço
EUA terão recusado visto ao PCA da Sonangol que pretendia integrar delegação de João Lourenço
Pai Querido

A Embaixada dos Estados Unidos em Angola terá recusado um pedido de visto apresentado pelo presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, que pretendia integrar a delegação angolana chefiada pelo Presidente da República, João Lourenço, em Nova Iorque.

Segundo relatos, o gestor apresentou o pedido de visto recentemente junto da representação diplomática norte-americana em Luanda, tendo recebido uma decisão desfavorável e sido informado de uma restrição temporária à emissão do documento.

A alegada decisão ocorre num contexto de restrições norte-americanas à emissão de vistos para cidadãos angolanos, em vigor desde 01 de Janeiro de 2026, na sequência da Proclamação Presidencial 10998.

De acordo com o Departamento de Estado norte-americano, Angola está entre os países abrangidos por uma suspensão parcial da emissão de vistos B-1/B-2, destinados a visitantes em negócios e turismo, e F, M e J, destinados a estudantes e participantes em programas de intercâmbio, além de determinadas categorias de vistos de imigrante.

As mesmas regras prevêem algumas excepções e permitem que, em determinados casos, as autoridades norte-americanas considerem que a entrada de uma pessoa serve o interesse nacional dos Estados Unidos.

Angola está igualmente abrangida, desde 21 de Janeiro de 2026, pelo regime de visa bond, que prevê uma caução de 5.000, 10.000 ou 15.000 dólares para determinados requerentes de vistos de visitante.

O montante é definido pelo funcionário consular e o pagamento só deve ser efectuado após instrução oficial.

Outro responsável angolano, o governador do Namibe, Archer Mangueira, terá também solicitado recentemente um visto para os Estados Unidos.

Conforme as informações recolhidas, foi chamado para uma entrevista consular, não tendo sido comunicada, até ao momento, qualquer decisão de recusa no seu caso.

A eventual ausência do PCA da Sonangol ocorre enquanto o Presidente João Lourenço se encontra em Nova Iorque, onde participa na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que decorre até 28 de Setembro.

O Chefe de Estado encabeça a delegação angolana na Semana de Alto Nível da ONU, que inclui responsáveis governamentais e outros altos funcionários.

Entre os membros estão o ministro das Relações Exteriores, Téte António, a ministra do Ambiente, Ana Paula de Carvalho, a secretária de Estado para as Relações Exteriores, Esmeralda Mendonça, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Carlos Alberto Pinto de Sousa, e o director-geral dos Serviços de Inteligência Externa, Matias Bertino Matondo.

A participação de Angola inclui reuniões de alto nível, encontros bilaterais e contactos diplomáticos com diferentes países, organizações internacionais e parceiros estratégicos, segundo a Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas.

João Lourenço discursou em 22 de Setembro na Assembleia Geral da ONU, no âmbito do debate geral subordinado ao tema “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Produz Resultados para Todos”.

À margem da Assembleia Geral, o Presidente angolano tem igualmente mantido encontros com representantes de organizações e instituições internacionais. Entre os contactos realizados esteve uma audiência com o vice-comissário e director de operações da NBA, Mark Tatum, para abordar a possibilidade de Luanda acolher jogos de play-off da liga norte-americana de basquetebol.

O ministro das Relações Exteriores, Téte António, representou também João Lourenço numa reunião de alto nível da iniciativa “Accra Reset – Diálogo de Reinicialização Global”, realizada à margem da Assembleia Geral.

Sebastião Gaspar Martins dirige a Sonangol desde 2019 e foi reconduzido no cargo em 2024. A petrolífera estatal tem mantido uma presença regular em fóruns internacionais ligados ao sector energético e às relações económicas de Angola.

A confirmar-se a recusa do visto, não é possível, com base nas informações actualmente disponíveis, estabelecer que a decisão esteja directamente relacionada com a aplicação da Proclamação 10998 ao caso individual do PCA da Sonangol.

Também não está esclarecido publicamente qual a categoria de visto solicitada pelo gestor, elemento relevante para determinar a eventual aplicação das restrições previstas na legislação norte-americana.

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