
Não se constrói a história com os factos irreais. Quem constrói a história sem basear-se em factos reais é como um castelo na arreia. Pois, o castelo na arreia desaba a qualquer momento porque não tem um alicerce sólido que o sustenta.
Portanto, todos aqueles que venderam a sua consciência aos interesses alheios a história registou e a história não esconde, e ela não oculta tudo aquilo que aconteceu ao longo da história.
Neste âmbito, há gente que tentaram construir a história da descolonização de Angola com narrativas falsas. Contudo, a história é implacável e foi capaz de derrubar os castelos de arreia.
O Rosa Coutinho e o Álvaro Cunhal, colonialistas portugueses, vieram a terreiro dizendo: somos nós que rasgamos os Acordos de Alvor. Somos nós com Agostinho Neto que conspiramos contra os Acordos de Alvor.
Na realidade, diziam deles, somos nós que entregamos o poder ao Agostinho Neto (MPLA) porque ele cuidará melhor os interesses de Portugal em detrimento dos povos nativos de Angola. Aliás, o Agostinho Neto é mais português do que angolano.
Enquanto, os outros dois (Holden Roberto e Jonas Savimbi) são nativos bantu que não se identificam bem com a cultura portuguesa. São afirmações feitas, em vídeos magnéticos, por Rosa Coutinho e Álvaro Cunhal diante Mário Soares. Bem registados pela História.
Esta postura maléfica foi a origem da guerra civil angolana que durou três décadas consecutivas, deixando o país em ruína. Quem é o responsável por tudo que aconteceu?
Hoje, Angola tornou-se mais lusitana do que africana. O neocolonialismo e o autoritarismo implantaram-se firmemente no país.
Os seus actos de exploração e de opressão estão mais visíveis que nunca. Basta olhar às taxas elevadíssimas de pobreza, de fome e de mortalidade nos centros urbanos, sobretudo em Luanda.
Na realidade o povo angolano está novamente perante um grande desafio da sua identidade africana, de autodeterminação e do pluralismo. Mesmo os menos atentos que defendiam o regime autocrático e corrupto hoje estão a sentir na carne o peso da ditadura.
O próprio MPLA, que esteve em conluio com os colonialistas portugueses em desfazer os Acordos de Alvor e mergulhar o país em chamas, hoje estão sendo cilindrados dentro das suas residências, sujeitos à repressão, à subjugação, às purgas sistémicas e aos assassinatos. Como diz na gíria: «o leão não come as suas crias». Mas no caso do MPLA, o leão está a devorar as suas próprias crias.
O Jonas Savimbi já alertava ao canibalismo que haveria de acontecer dentro do MPLA. A «Profecia» do Mwata da Paz já está a acontecer, como um sinal evidente do «abismo» em que o regime se encontra mergulhado.
Abre os Olhos!! O colonialista está entre nós; não é da cor branca, como costumávamos caracterizar os colonialistas europeus. Pelo contrário, o colonialismo em Angola está sendo exercido por pretos, bem escuros como carvão. Como diz um aforismo: «lobo em pele de cordeiro».
Na verdade, o sistema colonial em Angola tem o carácter de uma serpente de duas cabeças (anfisbena). Lá fora do país tem uma linguagem amena e reconciliadora – esconde a outra parte da cabeça. Mas cá dentro do país a linguagem é muito diferente, é intolerante, violenta e autoritária.
Ou seja, o seu comportamento é de cameleão que muda sucessivamente a cor da sua pele a fim de ocultar a sua natureza real.
No fundo, isso visa essencialmente restaurar o «status quo» de 1975, de impor o Partido Único. Há gente, no seio do MPLA, que tem saudades do mono partidarismo.
Para dizer que, o palco das Nações Unidas transformou-se numa plataforma onde cada sujeito vai ao pódio mentir aos outros. Enquanto os grandes celebram os acordos bilaterais de como dominar o mundo, definir esferas de influência, partilhar os minerais críticos e estabelecer a ordem mundial tripolar, no contexto da geopolítica mundial.
Ali estará o malabarismo dos pequenos regimes autoritários que se aproveitam deste fórum internacional para lavar as imagens e comprometer a alma dos seus povos aos interesses alheios.
*Antigo deputado à Assembleia Nacional