
O coordenador do grupo de acompanhamento do Secretariado do Bureau Político do MPLA à província do Cunene, Carlos Maria Feijó, apontou o combate à corrupção, ao nepotismo e a outras práticas que comprometem a transparência na governação como factores importantes para recuperar a confiança dos eleitores, sublinhando a necessidade de resultados concretos e de uma actuação mais próxima das preocupações da população.
Ao intervir no encerramento da XI Conferência Ordinária Provincial do MPLA no Cunene, Carlos Maria Feijó reconheceu o desgaste eleitoral do partido e alertou para a redução progressiva da sua votação nas últimas eleições gerais, de cerca de 82% em 2008 para 51% em 2022, apelando a uma reflexão interna e à adopção de medidas concretas para inverter a tendência.
“Em cada ciclo eleitoral, perdemos aproximadamente dez pontos percentuais”, afirmou, considerando que a evolução dos resultados exige uma análise crítica e mudanças capazes de evitar novas perdas eleitorais.
Nas eleições de 2022, o MPLA perdeu o domínio do principal círculo eleitoral provincial, Luanda, bem como nas províncias do Zaire e de Cabinda, tendo registado recuos noutras regiões do país. No parlamento, elegeu 124 deputados, contra 90 da UNITA, segundo os dados apresentados no discurso.
Carlos Feijó chamou igualmente a atenção para a abstenção, referindo que apenas cerca de 45% dos mais de 14,3 milhões de eleitores registados participaram na votação de 2022.
Na sua avaliação, a ausência de milhões de cidadãos das urnas pode reflectir desinteresse, desencanto ou a percepção de que as propostas políticas não respondem às suas preocupações.
Apesar do recuo nacional, o Cunene foi apontado como a única província onde o MPLA conquistou todos os mandatos parlamentares disponíveis, elegendo os cinco deputados do círculo provincial. O responsável advertiu, contudo, que esse resultado não constitui uma garantia para as próximas eleições.
Carlos Feijó considerou que a vitória eleitoral de 2027 dependerá, sobretudo, dos resultados da governação, com destaque para o acesso à água, energia eléctrica, saúde, educação, emprego e redução do custo de vida.
“Já não é tempo de começar. É tempo de concluir”, afirmou, apelando à conclusão de projectos em curso e à entrada em funcionamento de infra-estruturas já construídas, para que produzam efeitos concretos na vida das populações antes das eleições.
O responsável sublinhou ainda a importância de reforçar a prestação de contas por parte do Governo, divulgar os resultados da execução das políticas públicas e reconhecer as insuficiências, em vez de alimentar expectativas com promessas sem resultados visíveis.
Partido aposta na renovação e numa maior proximidade
Carlos Feijó apontou também a necessidade de renovar as estruturas partidárias, actualizar os registos dos militantes e reforçar os comités de acção, tendo em conta as alterações introduzidas pela nova Divisão Político-Administrativa do país.
O discurso apelou a uma maior participação das mulheres e dos jovens nos espaços de decisão, salientando que estes últimos devem deixar de ser vistos apenas como mobilizadores de actos políticos e assumir um papel activo no desenvolvimento económico e social.
A necessidade de melhorar a comunicação com os cidadãos foi igualmente destacada, tendo Carlos Feijó alertado que as críticas da população não devem ser automaticamente interpretadas como hostilidade política.
“A falsidade respondemos com factos. As preocupações respondemos com escuta, esclarecimento e acção”, afirmou, saudando a iniciativa de criação do programa «O Partido Escuta» e a comunicação nas línguas nacionais predominantes na província.
Na preparação das eleições de 2027, o partido estabeleceu cinco prioridades: organização da estrutura eleitoral, mobilização dos abstencionistas, acompanhamento da governação, comunicação transparente e preservação da unidade interna.
O discurso terminou com um apelo à autocrítica, à unidade partidária e à melhoria dos resultados da governação, sublinhando que a confiança dos eleitores deve ser conquistada diariamente, através do trabalho, da transparência e da resposta às necessidades da população.
Gerdina Didalelwa foi reeleita, sábado, primeira-secretária provincial do MPLA no Cunene, com 587 votos a favor e seis contra, correspondentes a 92,3%, durante a XI Conferência Provincial Ordinária de Balanço e Renovação de Mandatos do partido.
Os 636 delegados elegeram 599 membros do Comité Provincial, dois candidatos ao Comité Central, de entre os 28 eleitos na base, e 631 delegados ao IX Congresso Ordinário do MPLA, previsto para 9 e 10 de Dezembro, em Luanda.
A XI Conferência Provincial Ordinária do MPLA no Cunene, realizada sob o lema “MPLA: Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro”, avaliou o mandato 2021-2026 e aprovou as linhas de força para o período 2026-2031.