
O chefe-adjunto da Unidade de Segurança da Presidência da República, brigadeiro Santos Manuel Nobre “Barba branca”, foi levado na noite de ontem (30 de Dezembro) para responder junto a uma delegacia em Brasília, República Federativa do Brasil, pela agressão (veja o vídeo: Facebook) contra um grupo de jovens angolanos que pretendia manifestar defronte ao hotel onde se encontra hospedado o Presidente João Lourenço, na capital brasileira.
Liderando o grupo de avanço, o brigadeiro Santos Manuel Nobre viajou ao Brasil para acompanhar João Lourenço, que se deslocou a este país para participar na cerimónia de tomada de posse do Presidente eleito Lula da Silva que acontece a 01 de Janeiro de 2023. O referido grupo de avanço ficou hospedado no Hotel “San Marco” de Brasília.
Ao cair da noite, o brigadeiro Santos Nobre foi informado que um grupo de três angolanos estavam no rés-do-chão do hotel a fazer levantamento para uma manifestação, a fim de exigir do Presidente João Lourenço o respeito pelos Direitos Humanos em Angola e a libertação dos activistas Luther King e Tanaine Neutro, presos em Luanda desde Janeiro de 2022.
Quando eram 20h40min, o brigadeiro Santos Nobre Manuel que se encontrava acomodado no quarto n.º 307, do hotel “San Marco”, desceu irritado até a recepção para tomar medidas activas contra os jovens que faziam parte do grupo de avanço dos manifestantes.
Fazia parte do grupo os activistas Jota Privado, Marley e um outro identificado por Leandro que estava a filmar o episódio de agressão do segundo comandante da USP.
Inconformado pelo facto de ter sido filmado a bater os jovens, o brigadeiro “Barba Branca” pediu reforço de um grupo (de cerca de 10 colegas) para agredir os três manifestantes à moda angolana e confiscar os telemóveis que traziam o registo da agressão que comprometia a sua imagem.
Ao notar a excessiva agressão física de dez contra três, um dos funcionários do hotel “San Marco” chamou a polícia que chegou de imediato ao local, levando os agressores e os lesados.
Santos Nobre Manuel foi levado para a 5.ª Delegacia de Polícia, na qual foi aberto contra si uma queixa-crime pela pratica de lesão corporal, com o processo número 11614/2022.
Inicialmente alterado, o brigadeiro Santos Manuel, de 55 anos de idade, foi ouvido pelo delegado brasileiro Fabio Costa dos Prazeres. Inconformado por não estar habituado a ir parar numa esquadra de polícia, o oficial angolano apresentou-se como sendo general proferindo ameaças e retaliação a um general brasileiro que fosse a Angola.
Depois de interrogado, o mesmo foi ordenado a regressar ao hotel. Segundo o Club-K, o brigadeiro Santos Nobre Manuel estava acompanhado por cerca de dez elementos, dentre os quais o chefe do grupo da USP nesta comitiva, Francisco Gerónimo Domingos, que se encontra hospedado no quarto n.º 301.
Os outros elementos da USP são: António Joaquim Gomes (hospede do quarto 229) , Hermenegildo Jose Lopes Narciso (quarto 231), Bernardo Gouveia Miguel (quarto 720), Edna do Amaral Simosa (quarto 501), Manuel Pedro Caliongo (quarto 329), António Praia Cabaça (528), Bartolomeu Miguel Cassoma (quarto 121) e Mateus João Ferreira (716).

No cargo a menos de dois anos, o brigadeiro Santos Manuel Nobre tem a sua ficha de trabalho marcada por antecedentes menos bons e de outros excessos tais, como prender colegas sem ouvir a Procuradoria Militar e ameaças contra a tropa. Acusam-no de imitar o antigo general José Maria pela forma como maltrata os efectivos.
Natural da província do Kwanza Norte, o brigadeiro Santos Manuel Nobre “Barba branca” entrou para Unidade de Segurança Pessoal por conta do seu tio general José João “Maua”, que é o comandante da USP. Antes exercia as funções de comandante da Guarnição de Especial do Palácio Presidencial (GEPP).
Ao tempo de comandante GEPP, mandava deter constantemente os subordinados, sem ouvir a Procuradoria Militar, como forma de impor disciplina. Desde que saiu do GEPP, esta unidade passou a observar tranquilidade e sem registos de prisões arbitrárias.
O visado é visto como o forte candidato a sucessão do seu tio José João “Maua” no cargo de comandante da USP. Internamente, a sua possível ascensão é vista com objecções devido aos excessos e por ter a fama de nepotista. Indicou há poucos meses o seu irmão, major Certeza, para chefiar a equipa de escolta da nova vice-presidente da Republica, Esperança Costa.
Fora da vida militar, Santos Nobre tem se dedicado também aos negócios privados por via de uma empresa de nome “SANFRAN” que é gerido por um sargento da USP, Ivo dos Passos.
Detém também sobre seu controle uma escola de condução de nome “NOBRE”, em que o mesmo é o director geral, em violação a legislação que proíbe aos titulares de cargos públicos de exercerem cargos no sector privado.
Tem a fama de gostar muito de dinheiro e de ter criado um esquema em que os soldados escalados por si para o acompanhamento das deslocações presidenciais no exterior do país, tem depois da viagem de dar-lhe uma propina. Em tempos, afastou um oficial, identificado por capitão Raúl, por não lhe ter dado propinas no decorrer de uma deslocação do Presidente da RDC a Luanda.
Para além do acto de agressão que protagonizou esta semana no Brasil, a sua missão mais notada neste mês de Dezembro foi a condução de uma delegação que se deslocou ao mausoléu Dr. Agostinho Neto, para fazer limpeza ao jazigo do malogrado ex-Presidente José Eduardo dos Santos.
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