
Depois de terem suspendido a greve na semana passada por pressão da direcção, os trabalhadores dos supermercados Shoprite na província de Luanda iniciaram esta quinta-feira um período de greve de três dias.
A acção reivindicativa está a ser marcada por uma grande concentração de funcionários da empresa na loja do Palanca, com a polícia a ser chamada ao local.
Na resposta, o grupo diz ser “responsável” e que trabalha de acordo a Lei Geral do Trabalho, pelo que nada justifica esta greve, que está a ser organizada por um sindicato que não existe legalmente.
Este protesto laboral serve para os trabalhadores exigirem da direcção do Shoprite Group Angola melhoria das condições laborais, seguro de saúde e aumentos salariais, constatou o Novo Jornal no local.
A direcção do Shoprite considera ilegal a paralisação e ameaça despedir todos os trabalhadores que aderirem à greve.
Os trabalhadores dizem-se prontos para as consequências e acusam a direcção de exploração de carga horária, “maus-tratos” e despedimentos injustos.
O porta-voz dos trabalhadores, Augusto Camuembuesse, disse que a greve que hoje iniciaram é em função da insatisfação colectiva do grupo.
“Contestamos aquilo que a gerência tem feito contra os trabalhadores e também pelos nossos direitos a subsídios de alimentação, transporte e de saúde”, explicou.
Segundo Augusto Camuembuesse, há dois dias a direcção do Shoprite suspendeu, de forma ilegal, dois funcionários e, em função disse, os trabalhadores protestaram durante algumas horas, mas a empresa os ameaçou de despedimento.
“Hoje é o dia oficial da greve que irá até sábado, dia 28. A nossa comissão instaladora sindical é legal e a greve tem legitimidade para tal”, contou.
Adilson José Domingos, membro da comissão instaladora do sindicato dos trabalhadores do gigante sul-africano, contou que mais de 70 por cento dos funcionários da Shoprite aderiram à greve.
“Estaremos a reivindicar devido aos maus-tratos e dos despedimentos injustos constantes”, avançou o membro da comissão instaladora do sindicato dos trabalhadores, acrescentando que “Já foram feitas várias reclamações à entidade patronal para a resolução dos problemas, mas sem sucesso”.
“Infelizmente – prosseguiu – não nos restou outra saída senão exercermos o direito à greve e manifestação ordeira na instituição sede da empresa, sem prejuízo de nada”.
Os desabafos dos grevistas
Sobre a suspensão a semana passada, os organizadores disseram que não estavam criadas as condições na altura e que havia muitos funcionários indecisos, coisa que hoje já não se verifica.
Marta João, Domingas António e Rivaldo Gomes, funcionários da Shoprite há nove anos, disseram ser maltratados pelos gerentes das lojas.
“Não podemos comer nem mascar pastilha dentro da loja. Trabalhamos 10 horas ao invés das oito horas estabelecidas e regulamentadas por lei”, disseram.
“Quem atrasa 15 minutos é logo conotado como mau trabalhado e sofre descontos. Quem atrasa dobra o horário, o que não é justo. Até agora ninguém aqui sabe quanto é que recebe de subsídio de férias e de transporte. Dizem que dão, mas ninguém vê”, afirmam.
Fernando António, da loja Palanca, disse ser injusto a direcção não aceitar as reclamações dos funcionários e lamenta o facto de estarem agora a ser ameados de despedimentos em massa.
A resposta da empresa sul-africana
Ao Novo Jornal, a direcção do gigante sul-africano diz que as reclamações dos trabalhadores não têm fundamentos.
Mário Silva, director dos Recursos Humanos (RH) do Shoprite Group Angola, disse que o sindicato dos trabalhadores da empresa é ilegal e a empresa vai sancionar todos os que aderiram à greve.
“O que sabemos é que não há nenhuma comissão instaladora sindical na empresa. A greve não deve ser feita quando os funcionários acharem que podem paralisar as actividades. Somos um grupo responsável e trabalhamos de acordo a Lei Geral do Trabalho. As reivindicações de maus-tratos e de despedimentos injustos não correspondem à verdade”, explicou.
Conforme o director do RH, há no Shoprite condições laborais adequadas, seguro de saúde em caso de acidente de trabalho e aumentos salariais anualmente. Facto que os funcionários negam existir.
in Novo Jornal