
Um elevado número de empresas públicas trata dos dados pessoais dos funcionários sem observar requisitos exigidos por lei, pondo em causa o normal funcionamento do processo de regulação de dados, declarou na quinta-feira, 26, a directora de relação com o mercado da Bureau Central Privada de Informação de Crédito, Julay Morais.
Segundo a gestora, uma dessas situações é a disponibilização dos dados de funcionários a terceiros (entre os quais partido MPLA) sem a autorização ou devido conhecimento destes e, isto, configura inobservância dos requisitos legais.
Em função dessas ocorrências, a responsável realçou a necessidade de se expandir e incorporar a protecção de dados na vida dos cidadãos, cumprindo a lei.
Quanto a números, disse que são muitas as empresas que usam os dados pessoais dos funcionários sem seu consentimento. “Em 2022, mais de 500 empresas demonstraram interesse em tratar dos dados pessoais dos trabalhadores, dentre elas, as do sector da banca, telecomunicações, aviação, petróleos e comércio misto”.
Assim, recomendou, as empresas têm de fazer grandes investimentos a fim de se obter tecnologias capazes de garantir segurança na protecção dos respectivos de dados pessoais dos trabalhadores.
Por sua vez, a presidente da Bureau Central Privada de Informação de Crédito, Adriana Dias, que falava durante o workshop sobre dados, referiu que a protecção de dados trás mais vantagens do que desvantagens.
Entre as vantagens da protecção de dados, a empresária citou a facilidade que empresas e particulares têm para o acesso ao crédito – que pode melhorar a condição de vida das famílias, maximizando, assim, o número de pequenos e grandes empreendedores bem como acelerar a formalização da economia informal.
Falou também da necessidade de se educar, transformar e aculturar as pessoas e empresas a tratar com privacidade os dados alheios.
Para si, investir na protecção de dados amplia também a salvaguarda do bom ambiente de negócios no país e, consequentemente, desenvolvimento económico, dando por fim o crédito malparado que tem sido o “calcanhar de Aquiles” entre os bancos e os clientes.
Avançou que actualmente controlam mais de cinco empresas provedoras assinantes de dados que vão desde a banca a telecomunicações, mas almejam controlar ou chegar a 20 milhões de clientes na base de dados até 2028.
O Bureau Central Privada de Informação de Crédito é uma empresa licenciada pela agência de protecção de dados (APD) para gerir um extenso banco de dados que pode incluir todo o histórico relevante dos consumidores angolanos.
O principal objectivo da Bureau Central é de analisar os hábitos de consumo e, consequentemente, melhorar as decisões na concessão de crédito por parte de todas as empresas que actuam no mercado angolano.
in Angop