Sindicato do Pessoal Navegante de Cabine marcha contra gestão da TAAG
Sindicato do Pessoal Navegante de Cabine marcha contra gestão da TAAG
Trab taag

O Sindicato Provincial do Pessoal Navegante de Cabine (SINPROPNC) realizou ontem, sábado, 25, uma marcha pacífica de protesto contra gestão da TAAG, Linhas Aéreas de Angola.

A concentração teve lugar no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, gritando palavras de ordem e exibindo cartazes de protesto, entre os quais “devolvam a nossa TAAG”, “abaixo a gestão danosa”, “chega de aluguer as aeronaves estrangeiras, “devolvam os nossos direitos” ou “fora HiFly”.

O SINPROPNC apela ao Conselho de Administração da TAAG que resolva os diferendos relacionados ao “não pagamento do subsídio de inverno, de ajudas de custo, incumprimento do acordo colectivo e tomada de decisões arbitrárias”.

Na sexta-feira, 24, a TAAG emitiu um comunicado de imprensa onde prestou esclarecimentos relacionados com o pagamento das ajudas de custos e carregamento “revolving” do cartão Visa Kamba, emitidos e geridos pelo Banco BAI, que têm sido alvo de reclamações legítimas, por parte do pessoal navegante.

Para a secretária executiva do Sindicato Provincial do Pessoal Navegante de Cabine, que convocou a manifestação, está em causa o incumprimento da administração face às reivindicações dos trabalhadores.

“Estamos aqui porque se esgotaram todas as possibilidades de conversarmos com a empresa”, acusou Ondina Costa, dando exemplos como a falta de pagamento do valor diário para os tripulantes de voos internacionais.

Silêncio da TAAG

A sindicalista afirmou que foi enviado um ‘e-mail’ ao conselho de administração a propósito de várias questões e queixou-se de o sindicato não ter sido ouvido até hoje.

“Esta administração ignora-nos”, afirmou, lamentando que a empresa reaja apenas perante protestos públicos e usando comunicados que deveriam ser dirigidos aos trabalhadores e não à opinião publica, o que considerou uma forma de “escamotear tudo o que vêm fazendo”.

Sublinhou ainda que os acordos assinados com a empresa apenas estão a ser parcialmente cumpridos.

Em relação às ajudas de custo, indicou que a situação se agravou, já que os tripulantes não estão a receber o pagamento adiantado. “Muitas vezes os tripulantes chegam ao destino e não têm o dinheiro depositado nos cartões”, disse Ondina Costa.

Contestações dos tripulantes

Na quinta-feira, a administração da transportadora aérea angolana TAAG fez saber que está em vigor, desde 1 de fevereiro, a nova modalidade de disponibilização de ajudas de custo para o pessoal navegante de cabine, por via de um adiantamento no cartão de crédito “Visa Camba”, atribuído aos tripulantes.

Esta alteração visou responder a reclamações do pessoal navegante relativas a atrasos no carregamento dos cartões e impossibilidade de acesso a consultas do extrato do cartão.

A sindicalista contestou também que não estejam a ser formados os tripulantes da TAAG para trabalhar nos aviões da HiFly, como tinha sido prometido.

“A HIFly esta aqui há cerca de um ano e já deveriam ter sido formados os tripulantes da TAAG para poderem operar nesses aviões, para passarmos de um contrato de ‘wet leasing’ e passarmos para ‘dry leasing'”, reclamou.

No ano passado, as Linhas Aéreas de Angola contrataram à portuguesa HiFly uma aeronave Airbus A330 para a ligação Luanda-Lisboa-Luanda, em regime de ‘wet lease’, um tipo de contrato que garante, além do avião, a disponibilização da tripulação completa, manutenção e seguro do aparelho.

Ondina Costa realçou ainda que os trabalhadores não estão contra a administração, mas sim contra a sua gestão, criticando a falta de auscultação dos trabalhadores.

Funcionários não descartam greve

Admite também avançar para uma greve e sublinhou que os trabalhadores vão manter os protestos enquanto não virem as suas reivindicações atendidas.

O SINPROPNC tinha previsto desfilar até à sede da TAAG, mas não foi autorizado pelo Governo Provincial de Luanda (GPL), que alegou que a lei só permite a realização de manifestações partir das 13:00.

Ondina Costa lamenta que a resposta do GPL tenha sido tardia e não tenha permitido ajustar o horário a que seria feita a marcha.

Com/Lusa

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