
Faleceu ontem, domingo, 26, no Hospital Geral de Benguela, vítima de prolongada doença (Ataque Vascular Cerebral), o bispo emérito de Menongue, Dom Mário Lukunde, aos 66 anos. O malogrado foi nomeado pelo Papa Bento XVI, sucedendo a dom José Queirais Alves, arcebispo emérito da arquidiocese do Huambo.
O prelado, que assumiu o cargo de bispo da diocese de Manongue em 2005, renunciou ao cargo a 12 de Março de 2018 devido ao seu estado de saúde. Foi substituído um ano depois, por Dom Leopoldo Ndakalako, nomeado pelo Papa Francisco como novo bispo da diocese de Menongue.
Homem da intelectualidade e do silêncio
Segundo o vigário do clero diocesano, padre Martinho Kavaya, Dom Mário Lukunde era um verdadeiro homem da intelectualidade e do silêncio eloquente.
O padre Martinho Kavaya, que reagia à morte do Bispo emérito de Menongue, disse que o falecido, quando diante dos problemas ou adversidades, sabia geri-las e tomar decisões acertadas.
O sacerdote referiu que o Bispo, apesar de ter estado pouco tempo na liderança da Diocese de Menongue, por questões de saúde, foi um pastor insigne.
Contou que a Dom Mário Lukunde, desde cedo lhe foi confiada a missão de formar seminaristas, daí que Dom Óscar Braga (em memória) o enviou para Roma no sentido de fazer uma formação em filosofia, na qual chegou a fazer a licenciatura e o doutoramento.
No seu percurso, Dom Mário, enquanto diácono, foi projectado pela Diocese de Benguela, onde veio a se tornar o primeiro Reitor angolano a dirigir um seminário de filosofia e posteriormente Reitor de Teologia. Posteriormente foi catapultado a Bispo de Menongue, em 2005, nomeado pelo Santo Padre Bento XVI.
Segundo Martinho Kavaya, o Bispo já tinha no seu histórico de saúde problemas de hipertensão arterial e, quando foi enviado para Menongue, sofreu um AVC (Ataque Vascular Cerebral), que foi progredindo.
Informou que a Conferência Episcopal de Angola e São Tomé tudo fez, enviando-lhe a Roma em tratamento, no sentido de reverter o quadro, mas sem sucesso.
O vigário referiu que, na altura, os médicos em Roma já haviam comunicado que o seu quadro clínico era irreversível, situação que levou Dom Mário Lukunde, em 2018, a renunciar ao cargo de Bispo da Diocese de Menongue, para cuidar da sua saúde, que evoluiu negativamente até a morte.
Quanto às exéquias, Martinho Kavaya deu a conhecer que, quando morre um Bispo, a primeira missão orientadora é da CEAST, que define a data e o local do funeral.
Enquanto isso, o padre avançou que o clero está reunido em oração para reflectir e meditar por ele nesse tempo da quaresma.
Dom Mário Lukunde nasceu a 13 de Maio de 1957 no município de Caimbambo, província de Benguela.
Foi ordenado presbítero em 1985. Em Agosto de 2005 foi nomeado Bispo de Menongue pelo Santo Padre Bento XVI e consagrado no episcopado como bispo no mesmo ano, por Dom Óscar Braga.
Com 38 anos de sacerdócio, dos quais 17 como Bispo, Dom Mário Lukunde faz parte do grupo de três bispos ordenados e consagrados ao episcopado por Dom Óscar Braga (em memória).
São eles: Dom José Nambi, antigo Bispo da Diocese do Bié, falecido recentemente, Dom Mário Lukunde, até então Bispo emérito de Menongue, e Dom Emílio Sumbelelo, Bispo de Viana.