
O Tribunal de Comarca do Lubango, província da Huíla, condenou na segunda-feira, 20, o cidadão português, Walter Raposeiro, de 65 anos de idade, a 26 anos de prisão efectiva, pelo crime de homicídio qualificado contra à sua esposa, Roxane Pestana, em Setembro de 2021.
O réu, segundo o tribunal, matou a sua esposa a tiro à meia noite do dia 25 de Setembro de 2021, a 200 metros da sua residência, Lubango, tendo de seguida manipulado a cena do crime para forjar um suicídio, disse o juiz de direito que presidiu o julgamento, Gerardo Ukuma, ao ler a setença.
Fez saber que após a conclusão de 407 quesitos, ao réu pesou ainda os crimes de difamação e calúnia, injúria, violência doméstica nas vertentes físicas e psicológicas que fizeram o cúmulo jurídico.
Sublinhou que em consequência dos crimes, o réu deve ainda pagar o valor de 300 mil da taxa de justiça nos termos do artigo 89 do Código Penal, bem como, cinco milhões de kwanzas aos herdeiros legítimos da vítima.
O mesmo vai, igualmente, pagar dois milhões de kwanzas de indemnização à ofendida, Sónia de Fátima Soares Pestana, por sinal irmã mais velha da vítima, por calúnia.
De realçar que, na primeira audiência, dirigida pelo juiz de direito, Geraldo Ukuma, do processo registado sob o n.º 1456/2022-D, de 21 de Setembro de 2021, o assassino, em sede de julgamento, admitiu que a arma encontrada junto ao cadáver da mulher é sua, declarando que do seu arsenal constavam outras três, destinadas à caça e a prática de tiro desportivo, sendo que uma das quais ofereceu à esposa para protecção pessoal, com a qual alega ter sido usada para o suicídio.
Sublinhou que as brigas começaram a ser constantes após supostamente ter descoberto uma relação extra-conjugal da mulher com um antigo gerente do BIC.
“Para além da minha esposa ter praticado com o gerente do BIC, também mantinha relações sexuais com o seu mecânico e, se calhar a Roxana terá tirado a própria vida por vergonha da descoberta material pela família”, disse.
Em declarações à imprensa, após a leitura da sentença, o advogado do réu, André de Jesus, afirmou que vai interpor o recurso junto do Tribunal de Relação do Lubango, para tentar atenuar a pena.
Por sua vez, o advogado da família, Kito Fernandes, afirmou que está de acordo com a medida aplicada pelo Tribunal, que demonstra que a justiça foi feita sem influência.
Walter Raposeiro juntou-se à vítima há mais de 10 anos, na altura ela com 20 e ele com 50 anos de idade.