
A história de amor de Ana Hebo, de 32 anos, e mãe de quatro filhos, é um caso muito caricato. Em Outubro do ano passado, por motivos passionais, abandonou a própria filha, Ludmila Nzage, hoje com 6 anos, em plena rua, no Bairro Marçal, para agradar o marido.
A medida deixou os familiares revoltados, inclusive o ex-marido, Victor Nzage, que actualmente, ao descobrir a verdade por detrás do desaparecimento desta e sem perceber as motivações de Ana Hebo, apenas quer, a todo o custo, encontrar a menina abandonada há meses.
Detida por abandono da filha, o ano passado, e na altura com apenas cinco anos, Ana Hebo está, desde ontem, presa no Comando Municipal do Cazenga, da Polícia Nacional.
O começo
O romance entre Ana Hebo e o ex-marido durou 13 anos, mas o drama começou, apenas, depois da separação destes. Para manter a sustentabilidade do lar, Victor Nzage ficava uma semana no serviço, em sistema alternativo. Quase sempre, quando regressava para a casa, raras vezes encontrava à ex-esposa, “que chegava a ficar três dias fora de casa”.
O tempo foi passando e da relação nasceram três filhos, sendo uma de 13, outra de 10 e uma de seis anos. A relação do casal terminou, há quatro anos, quando o ex-marido começou a desconfiar dela e as cenas de ciúmes aumentaram. “As ausências eram muito frequentes. Ela trabalhava como empregada doméstica numa residência, mas eram muitos dias fora do lar”, contou.
Então, o casal separa-se e Ana vai viver sozinha com as três filhas. Apesar das desconfianças, o amor de Victor por Ana manteve-se ao ponto de pretender voltar com à ex-esposa, mas esta negou.
Com o passar dos anos, Ana Nzage decidiu arranjar um novo companheiro, um mecânico, com quem tem actualmente um filho. No início do namoro, disse, contou ao companheiro que tinha, apenas, dois filhos e não três.
Para justificar a mentira, disse que a menina, de nome Ludmila Nzage “Mãezinha”, era filha da irmã. Como o companheiro não aceitava a presença da criança em casa, a obrigou a devolver à irmã. Sem saber o que fazer, Ana Nzage confessa que pensou em várias soluções. Porém, optou por aquela que parecia mais fácil. O abandono.
Em Outubro do ano passado, para agradar o companheiro, preparou a filha e a levou até ao Bairro Marçal, onde a deixou em plena via pública. “Menti para ela que estava a ir numa cantina comprar bolachas. Depois fugi”, disse. O acto ficou no mais absoluto sigilo. Não disse nada ao companheiro ou aos familiares mais próximos.
A descoberta
Depois da separação do casal há quatro anos, Victor Nzage ficou preocupado com a idade escolar da filha e procurou o irmão da ex-mulher, Luís Hebo, com vontade de colocar a criança na escola. Este, foi até à casa onde a irmã vivia, no bairro da Nocal, para falar sobre as pretensões do pai de Ludmila.
Questionada, Ana alegou que a menina estava em casa de um familiar. Depois de pressionada, acabou por confessar ao irmão que abandonou a criança na rua, sozinha e sem paradeiro. Irritado, explicou o sucedido ao pai da criança e foi até ao Comando Municipal do Cazenga, da Polícia Nacional, fazer uma participação criminal contra a irmã, por abandono de menor.
Arrependimentos
“Não sei as razões que me levaram a agir assim. Sou sei que peguei a criança e a abandonei numa das ruas do Marçal”, confessou, alegando que queria apenas evitar ter problemas no lar. “Estava ter muitas complicações, por não ter dito a ele que a menina era minha filha”.
Actualmente com a filha em parte incerta, Ana Hebo mostra arrependimento. “Apenas lhe dei um saco com a roupa dela e fui embora”, lembra meio trémula, adiantando que nunca teve notícias da menina, apesar de já ter tentado procurar por ela, mas sem sucesso. “Vivia mal, por ter este segredo”.
O “pai” da criança
Visivelmente aflita, não só pela detenção, mas pelo facto de ter o ex-marido presente no Comando da Polícia do Cazenga, para saber do paradeiro de Ludmila, Ana Hebo teve coragem para dizer que a menina não era filha de Victor Nzage. “Ele criou e registou ela como se fosse filha dele, mas não é verdade. O verdadeiro pai da menina é o filho da minha ex-patroa”, contou.
A história foi escondida por anos. “Fiquei grávida quando a ex-patroa viajou, em tratamento médico, para Benguela e deixou a casa sob meus cuidados. Na altura, tive um caso com o filho da patroa”, revelou.
Enquanto viveu com Victor Nzage, confessa, nunca disse a paternidade da criança. Depois da separação, explicou, tentou dizer algumas palavras indirectas sobre o caso. “Acho que ele não percebeu”, lamentou, reconhecendo o estrago psicológico criado ao ex-marido.
Investigação criminal
O porta-voz do Serviço de Investigação Criminal (SIC) de Luanda, superintendente Fernando de Carvalho, disse que Ana Hebo está detida até ser entregue ao Ministério Público. Uma fotografia, com o rosto da menina desaparecida, já vai ser colocada a circular para tentar identificar o actual paradeiro dela.
Fernando de Carvalho disse que o SIC-Luanda deteve ainda um ancião de 62 anos, residente no município do Cazenga, por supostamente ter agredido sexualmente uma menor de 11 anos, a troco de 100 kwanzas.
In JA