
Desde que João Manuel Gonçalves Lourenço assumiu a Presidência da República, em Setembro de 2017, a empresa Omatapalo já se beneficiou de 3 biliões de dólares americanos em contratos por ajuste directo, segundo revelações do “Africa Intelligence”.
Segundo a publicação, cerca de 90% deste valor provém de contratos simplificados adjudicados por decretos presidenciais sem concurso público. Só no ano passado, a Omatapalo ganhou 19 contratos estatais, dos cerca de cem que concorreu em Angola.
A empresa quadruplicou assim o seu volume de negócios face à última década ao longo da presidência de José Eduardo Dos Santos, que terminou em 2017. De 2008 a julho de 2017, a Omatapalo recebeu o equivalente a 741 milhões de dólares por 13 contratos do Estado, três dos quais adjudicados por decretos e dez por concurso público.
Fundada em 2003, a Omatapalo tem como accionista principal o actual governador de Benguela, Luís Manuel da Fonseca Nunes, amigo pessoal do Presidente João Lourenço.
Durante a governação de João Lourenço, a Omatapalo ganhou contratos do sector público para estradas e edifícios no valor de centenas de milhões de dólares. Em 2020, esta empresa viu garantida um acordo de 177 milhões de milhões de dólares para construir barragens hidráulicas na província de Cunene.
Em 2021, por via de um Decreto Presidencial, o governo angolano confiou o projecto mineiro “Camutué”, confiscado a Isabel dos Santos e a Noé Baltazar, a um consórcio cujo beneficiário final é a Omatapalo.
A construtora do governador de Benguela passou a operar neste projecto mineiro por interposição de uma empresa angolana “Moana“, que é sócia da Sociedade de Mineira Kaixepa (SMK), a operadora oficial. O gestor do projecto é Domingos Margarida, um engenheiro angolano que possui um doutoramento em minas, feito em Cuba.
O projecto mineiro Camutué – que agora ficou com a Omatapalo – emprega 564 cidadãos nacionais e 103 estrangeiros. Uma empresa de direito angolano Hipermaquinas, chegou a ser contratada para os trabalhos de terraplanagem cujos pagamentos terão sido o “dobro” cobrado por outras no mercado nacional. A Hipermaquinas é associada a uma irmã do Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço.
Em Luanda, proliferam informações de que o governo tem na agenda um novo projeto de distribuição de contadores de água para Omatapalo. O projecto terá atrasado devido a alegados obstáculos e oposição do até então Presidente do Conselho de Administração da Empresa Pública de Águas – EPAL, E.P Manuel Silva Lopes da Cruz “Sopa”. No passado dia 21, Manuel da Cruz “Sopa”, foi exonerado por João Lourenço e detido por acusações de alegadas a sabotagens a Estação de Tratamento de Água (ETA) do Calumbo.