Bombeiros culpa direcção do CEFOPESCA pela morte de três estudantes – SIC investiga o caso
Bombeiros culpa direcção do CEFOPESCA pela morte de três estudantes - SIC investiga o caso
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A sociedade luandense ficou chocada na sexta-feira, 5 de Maio, com a notícia de três alunos da Escola Técnica de Formação de Pescas (CEFOPESCA) que morreram afogados, durante durante uma aula prática de natação, na praia do KM 32, no Distrito Urbano dos Ramiros, município de Belas. O Serviço de Protecção Civil e Bombeiros (SPCB) considera que houve negligência por parte da direcção da referida instituição e o Serviço de Investigação Criminal (SIC) já está a investigar o caso.

Segundo as informações em posse do Imparcial Press, as vítimas eram colegas de turma (estavam no 3.º ano/ classe 12º) no curso de Tecnologia do Pescado, são: Vida Nicolau, Rosária Efésios e Manuel Cuango Beirão, mais conhecido por Lú, com idades de 18 e 19 e 21 anos

Félix Domingos informou que uma das vítimas, Rosária Efésios, ainda foi resgatada com vida, mas acabou por sucumbir momentos depois no local, enquanto os corpos dos outros dois jovens foram removidos apenas no dia seguinte.

O porta-voz do SPCB culpa a direcção do CEFOPESCA pelo trágico acontecimento. A acusação do SPCB assenta no facto de o CEFOPESCA por não ter contactado os nadadores do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, como mandam as regras.

“Houve negligência, não dos professores, mas sim da própria instituição que para este tipo de aulas práticas de natação no mar, que, segundo as normas, devem ser acompanhadas por nadadores-salvadores do SPCB”, disse o porta-voz dos bombeiros, Faustino Miguéns.

Segundo este oficial, as instituições sempre que estiverem diante destes cenários devem contactar os bombeiros para garantir a segurança de todos antes e durante a actividade.

“Infelizmente não tivemos acesso a qualquer solicitação da instituição para podermos ter aí os nossos homens prontos para este tipo de eventualidades”, lamentou o porta-voz dos bombeiros.

Versão do CEFOPESCA

Segundo as informações, os alunos foram encaminhados para aulas práticas no mar porque a única piscina da instituição, onde normalmente acontecem, está fora de serviço.

Sem alternativas, a direcção do CEFOPESCA, em contacto com a administração dos Ramiros, definiu a praia do KM 32 para a realização das aulas práticas.

Mbuco Samuel, sub-director da instituição, contou aos jornalistas que os alunos foram para a praia dentro do plano curricular existente na instituição. “Existe uma disciplina, segurança no mar, e os estudantes têm a obrigação de darem esta disciplina que é a sobrevivência no mar”, contou.

Segundo este responsável, a aula deveria ter acontecido no Instituto Politécnico das Pescas, mas a piscina está fora de serviço para manutenção e, por essa razão, os alunos foram para a praia do km 32.

No decorrer das aulas, segundo a instituição, dois alunos que estavam atrasados decidiram entrar no mar sem os coletes de protecção, não cumprindo os protocolos para aulas práticas e afogaram-se na presença dos colegas e dos professores.

Face à situação arrepiante, um dos colegas que vestia colete, e que já tinha terminado a sua aula prática, atirou-se ao mar tentando ajudá-los e acabou por se afogar também.

A CEFOPESCA, inaugurada em 2020, tem à sua disposição, no Distrito Urbano dos Ramiros, um centro para albergar mais de 300 alunos no sistema de regime interno e uma média de mil estudantes externos.

O instituto tem capacidade para 1.836 estudantes, distribuídos em três turnos, o que permite a realização de todas as operações exigidas em barcos de pesca profissionais, controlo da navegação, organização e execução das actividades de extracção, conservação de pescado ou domínio do sistema de propulsão da embarcação.

Com nível básico, a escola tem capacidade para formar marinheiros-pescadores, contramestres pescadores, motoristas maquinistas práticos, assistentes de electricidade naval, electromecânicos de frio, auxiliares de processamento, manuseamento e conservação de pescado, auxiliares de carpintaria naval e auxiliares de soldadura.

O instituto aposta, também, em cursos profissionalizantes de curta duração.

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