Escritor Jacques dos Santos “cobra” implementação do Plano Nacional de Leitura
Escritor Jacques dos Santos “cobra” implementação do Plano Nacional de Leitura
Jacques dos santos

O escritor angolano Jacques dos Santos mostrou-se preocupado com o atraso na implementação do Plano Nacional de Leitura.

O antigo parlamentar que falava no âmbito do Dia Mundial do Livro, assinalado a 23 de Abril, disse que os projectos ligados à massificação dos hábitos de leitura existem, mas “tem faltado vontade” de implementá-los.

“Há quanto tempo ouvimos falar do Plano Nacional de Leitura? Os projectos existem, mas estão engavetados há muito”, desabafou Jacques dos Santos.

Na sua opinião, se houvesse querer, “os orçamentos para a Educação receberiam outros níveis orçamentais, e haveria, da parte da União dos Escritores Angolanos, outra postura”.

O Plano Nacional de Leitura (PNL) é uma estratégia do Executivo angolano que tem a finalidade de promover o gosto e hábito pela leitura e pela escrita, destinado às crianças, incluindo alunos do pré-escolar, bem como ensinos primário e secundário.

O Ministério da Educação pretende, com este projecto, responder aos desafios de melhorar o desempenho escolar nos domínios da leitura e da escrita.

Pretende, igualmente, facilitar o acesso das comunidades escolares à diversidade cultural e ao estímulo da análise crítica, contando com o envolvimento da sociedade e com material didáctico de diversos autores e temáticas que as crianças possam ler nas escolas.

Revisão da Lei do Mecenato

Outrossim, Jacques dos Santos defendeu a revisão, por parte da Assembleia Nacional, da Lei do Mecenato, a fim de torná-la “mais actuante”. O mesmo sugere que, como forma de atrair os mecenas, a Administração Geral Tributária (AGT) promova estudos e divulgue mais os benefícios fiscais relativos ao mecenato.

Lamenta o facto de, no papel, parecer “tudo bonito”, mas, na prática, os possíveis mecenas nunca se fazerem presentes, quer nos actos realizados, quer a título de patronos.

“A Lei do Mecenato não lhes é favorável neste sentido. Eles querem perceber o que ganham com esse gesto. Mas, infelizmente, não vêem muitas vantagens na sua participação como mecenas ou patronos, precisam de ver (resolvida) a questão das vantagens fiscais, de impostos”, justifica.

Recentemente, a Academia Angolana de Letras promoveu, em Luanda, o ‘Encontro sobre a Lei do Mecenato: Promoção e Valorização da Cultura e das Artes’, com o objectivo de trazer à discussão pública os constrangimentos que têm conduzido à não-aplicação da lei.

Em comunicado, a Academia apresenta ‘pertinentes’ subsídios que podem contribuir para que se multiplique a existência de mais mecenas no apoio aos criadores, investigadores e demais sectores previstos na lei.

O encontro apelou à revisão e actualização da Lei do Mecenato, tornando-a menos burocrática e mais atractiva para os mecenas, artistas, investigadores sociais e promotores culturais.

Em Angola, a implementação do Mecenato como política pública decorre da Política Cultural da República de Angola, aprovada pelo Decreto 15/11, de 11 de Janeiro, que assume a forma de lei, por força da Lei nº8/12, com a designação de Lei do Mecenato.

A referida lei, nas suas diferentes fases, foi conformada e acompanhou a reforma tributária em Angola. Todavia, não pode acompanhar o carácter mutável do sistema fiscal, nem adequar-se às sucessivas alterações e revisões legislativas operadas pela legislação fiscal desde 2012.

Os possíveis patronos consideram que o Código dos Benefícios Fiscais não é suficientemente atractivo no referente ao Mecenato, já que o Mecenas vê deduzidos, à matéria colectável, até 40% sobre serviços, fundos ou bens doados.

Assim, o Mecenas terá a seu cargo os restantes 60%, o que no seu entender, não é suficientemente motivador para promover filantropia junto das pessoas e empresas.

in Angop

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