Conheça responsáveis que recusaram cargos ministeriais no Governo de João Lourenço
Conheça responsáveis que recusaram cargos ministeriais no Governo de João Lourenço
Jloure

O novo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, terá inicialmente manifestado indisponível, na primeira abordagem, ao ser convidado para substituir Manuel Nunes Júnior, sacrificado, na semana passada, por causa do aumento do preço da gasolina a 300 kwanzas.

Apesar da resistência manifestada (queria continuar a ocupar a ostentar o governador do Banco Nacional de Angola), o novo coordenador económico não teve outra opção senão atender o convite do chefe do Executivo, João Lourenço, temendo represálias no futuro.

Nos termos da Lei n.º 24/21, de 18 de Outubro – Lei do Banco Nacional de Angola, o mandato do governador do Banco Nacional de Angola tem a duração de seis anos.

Massano foi empossado por João Lourenço em Dezembro do ano transacto, menos de um ano, e o seu mandato que teria findado em Dezembro de 2028. Queria isto dizer que, literalmente, o Chefe de Estado não tinha competência de perturbar a sua governação bancária, segundo o Club-K.

Recusa de cargos

O primeiro mandato de João Lourenço, como Presidente da República, foi marcado com casos insólitos de alguns responsáveis recusarem cargos ministeriais. O Imparcial Press traz à tona o tema para elucidar os seus leitores.

O então ministro da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, António Pitra Neto, declinou por duas vezes convites formulados pelo Presidente João Lourenço para integrar no seu Executivo.

Segundo as informações postas a circular, o primeiro seria para ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República (cargo ocupado mais tarde por Frederico Cardoso) e o segundo para manter-se no cargo que acabava de cessar.

Pitra Neto era inúmeras vezes citado como candidato ideal para a substituição de José Eduardo dos Santos à frente do MPLA e potencial candidato à Presidência da República, em 2017.

Mais tarde, João Lourenço decidiu nomear António Rodrigues Afonso Paulo, ex-director do gabinete de Pitra Neto, para o cargo de ministro da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social.

Curiosamente, aquando da tomada de posse, em Outubro de 2017, o novo ministro não compareceu na cerimónia, sem dar explicações ao protocolo. A Presidência da República também não se predispôs a dar explicações públicas sobre as razões que levaram António Paulo a declinar o cargo ministerial.

Em Abril de 2020, no quadro da remodelação governamental, a então ministra da Hotelaria e Turismo, Maria Ângela Teixeira de Alva Sequeira Bragança, foi exonerada do cargo pelo Presidente João Lourenço, e este ministério foi fundada com o de Ambiente e foi baptizado por Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente.

João Lourenço nomeou a bióloga Adjany da Silva Freitas Costa ao cargo de ministra, e convidou Ângela Bragança a ocupar o cargo de Secretária de Estado para o Turismo, e esta última recusou categoricamente.

Na altura, houve rumores de que Ângela Bragança manifestou indisponível em assumir o cargo por razões de saúde. Mas, em backstage, houve comentários de que ela recusou ser chefiada por uma “criancinha” de apenas 29 anos, desconhecida nas lides políticas. E o chefe do Executivo foi obrigado a nomear outra pessoa no seu lugar.

Actualmente Maria Ângela Teixeira de Alva Sequeira Bragança ocupa simplesmente o cargo de secretária do Bureau Político do MPLA para a Política de Quadros do MPLA.

Em Maio de 2020, uma funcionária da Casa Civil da Presidência da República, ligada a Edeltrudes da Costa, ministro do Estado e director do gabinete de João Lourenço, de nome Elsa Maria Pires Lopes dos Santos Lourenço, também recusou o cargo de Secretária de Estado para a Família e Promoção da Mulher, por não ter sido consultada.

No seu lugar, foi colocada a tomar posse a ex-directora geral do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC), Elsa Barber Dias dos Santos, que actualmente é assessora social da vice-Presidente da República, Esperança da Costa.

Um outro caso menos importante se registou em Fevereiro de 2018. Quando tudo parecia correr às mil maravilhas, depois de uma transição pacífica do poder, o então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, recusou tomar posse como membro do Conselho da República.

Na altura, o malogrado José Eduardo dos Santos ainda era presidente do MPLA, e o João Lourenço era o seu vice. Mais tarde, instalou-se o debate sobre a bicefalia no país. Em Setembro de 2018, para quebrar o gelo, JES passou a liderança do partido no poder, desde 1975, a João Lourenço.

Houve interpretações de que o finado [o ex-Presidente da República] era arrogante e nutria sentimento de supremacia para com os outros. “Já se esperava esta atitude por se enquadrar em traços de uma alegada supremacia pessoal identificada no antigo Chefe de Estado”, comentava-se.

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