Tribunal devolve liberdade a Pedrito do Bié
Tribunal devolve liberdade a Pedrito do Bié
Pedrito do bie

O Tribunal de Comarca do Bié devolveu hoje, segunda-feira, 19, a liberdade, o cantor e compositor Pedro Chitumba Sapalo, ou melhor, Pedrito do Bié, detido pela polícia nacional no último sábado, no famoso largo da Pouca Vergonha, na cidade do Cuito, após ter partilhado nas redes sociais vídeos e panfletos sobre a manifestação nacional que teve lugar em 14 províncias do país, foi hoje devolvido a liberdade.

Para justificar a sua detenção, a polícia acusou-o de partilhar conteúdos subversivos que instigam a violência pública e regionalismo.

Com ele, foram detidos os cidadãos Hamilton José Leonel solteiro, de 32 anos, trajados com camisolas e bonés com as escritas que supostamente incitavam a violência pública, regionalismo bem como ultraje ao governador provincial do Bié, por ser nato da província do Bengo.

“Basta, Bié não é Bengo, queremos oportunidades iguais para os empresários locais; 47 anos no poder é muito; o vosso tempo acabou; o poder só vicia os fracos”, eram os dizeres estampados em camisolas e bonés dos manifestantes de que Pedrito do Bié fez parte.

As autoridades locais alegam que a referida manifestação não foi comunicada nem autorizada pelas autoridades locais, para além do facto dos manifestantes encontrarem-se a menos de 100 metros das Instalações do Governo Provincial, facto que motivou a detenção dos implicados.

De realçar que, cerca de 87 pessoas foram detidas durante as manifestações de sábado em Luanda e em Benguela, segundo os dados da Polícia Nacional, devendo ser julgados sumariamente por crimes de arruaça e desobediência.

O porta-voz do Comando Geral da Polícia Nacional, subcomissário Mateus Rodrigues, foram detidos 32 manifestantes em Luanda e 55 em Benguela, no âmbito dos protestos contra a subida dos preços dos combustíveis, fim da venda ambulante e proposta de alteração dos estatutos das ONG que levaram milhares de pessoas às ruas.

O subcomissário Mateus Rodrigues afirma que os organizadores da manifestação não obedeceram aos pressupostos legais, violaram o itinerário e proferiram ofensas contra os agentes.

A subida do preço do combustível, a fim da venda ambulante e a proposta de Lei sobre as Organizações Não-Governamentais, aprovada na generalidade pelas bancadas parlamentares do MPLA, PRS, FNLA e PHA – a UNITA se absteve – no último mês de Maio, foram as motivações da manifestação nacional.

O Governo de João Lourenço decidiu, desde o dia 2 de Junho, retirar parcialmente os subsídios à gasolina, cujo litro custa agora 300 kwanzas contra os anteriores 160 kwanzas, situação que tem originado vários protestos no país. Até agora oito pessoas foram mortas pela polícia nacional.

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