Governador diz ter sido vítima de suborno, mas não denunciou os corruptores aos órgãos de justiça
Governador diz ter sido vítima de suborno, mas não denunciou os corruptores aos órgãos de justiça
GPL

O governador provincial de Luanda, Manuel Homem, revelou publicamente, na segunda-feira, 19, que recusou uma “caixinha de dinheiro” que um grupo de empresários enviou para si, no seu gabinete, com o intuito de suborná-lo, ou seja, persuadi-lo a interromper o processo de reordenamento do comércio. Sem, no entanto, revelar se apresentou uma queixa-crime contra os corruptores.

Curiosamente, a ser verdade, Manuel Homem é o primeiro e o único dirigente do Executivo de João Lourenço e do MPLA (partido no poder, desde 1975) a recusar a tamanha oferta e poderá entrar no “guiness book” pelo seu estranho bom comportamento.

Ao intervir ontem na reunião com empresários e associações empresariais, para esclarecimentos sobre o processo de reordenamento do comércio em Luanda, disse ter recebido, recentemente, uma caixinha com dinheiro, sem, no entanto, revelar o valor nem os envolvidos no caso.

“Quem está bem, está legal, organizado, com os procedimentos em dia, porquê que precisa de fazer isso?”, questionou o governante, afirmando que os empresários em causa aparecem com “somas avultadas”.

No entanto, o governador reconheceu existirem empresários bons, tendo sublinhado que alguns funcionam em condições precárias e com inconformidades passíveis de correcção.

Manuel Homem informou, ainda, que as portas do Governo Provincial de Luanda estão abertas para denúncias sobre a actuação dos agentes do Governo que não facilitam o processo ou que aceitam a prática do suborno.

Durante a reunião, Manuel Homem adiantou que 50 armazéns grossistas, que exerciam actividade em zonas impróprias, foram transferidos para o Kicolo Shopping, no município de Cacuaco, em Luanda.

Outros armazéns, na mesma condição, serão transferidos para espaços existentes nos municípios de Viana e Cacuaco.

A Lei n.º 1/07 (Lei das Actividades Comerciais) estabelece lugares próprios para a venda a grosso, que não deve ser em zonas urbanas”, mas tem sido sistematicamente violada por proprietários de estabelecimentos comerciais em Luanda.

Por essa razão, o Governo Provincial de Luanda tem em curso, desde o mês de Fevereiro último, um Plano de Reordenamento do Comércio, para disciplinar as vendas.

“A intenção é disciplinar a actividade comercial, garantindo ao cidadão qualidade de vida, higiene, limpeza, melhor mobilidade, bem como condições condignas aos colaboradores, como salários e pagamentos da Segurança Social”, asseverou o governador Manuel Homem.

No quadro do Plano de Reordenamento do Comércio em Luanda, em curso ao longo das avenidas Cónego Manuel das Neves, a envolvente da zona do São Paulo (Distrito Urbano do Sambizanga ), e Ngola Kiluanje (Distrito Urbano do Hoji Ya Henda) foram encerradas cerca de 300 lojas e armazéns, por prática irregular do comércio.

O Plano do Reordenamento do Comércio visa, dentre outros objectivos, repor a legalidade do comércio formal e informal, ao longo das vias da província de Luanda.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido