A desgovernação em Angola está levar o povo ao ‘afundanço’ – Fernando Heitor
A desgovernação em Angola está levar o povo ao 'afundanço' - Fernando Heitor
Fernando Heitor

As notícias são alarmantes, preocupantes e revoltantes. Estão a correr em todo o Mundo. Angola, um dos países potencialmente mais ricos de África e do mundo, está em crise de “falência técnica”! A comunidade internacional está de boquiaberta.

O Governo angolano nem sequer consegue pagar os salários dos seus funcionários, incluindo as forças de defesa e segurança. Perigo eminente! É preciso muito cuidado e juízo! Quais as causas principais de tudo isso?

Dependência excessiva ao petróleo. Quase 90% das receitas de exportação (divisas). A produção baixou e quando o preço do barril baixa, o encaixe é menor e a taxa de câmbio sobe e o kwanza se deprecia, é a desvalorização da moeda nacional, agravada por uma política monetária incapaz de controlar a massa monetária em circulação nas ruas da enorme informalidade da economia (mercado paralelo).

As receitas dos diamantes continuam a ter um peso minúsculo no OGE. Onde é que elas vão parar, é preciso que o Serviço de Investigação Criminal (SIC) investigue bem.

O sector não petrolífero está a fazer quase nada, apesar dos inúmeros programas gizados. Há programas à mais para a diversificação da economia, e com tão-pouco dinheiro disponível.

Os impostos são altos. É preciso aumentar a base de tributação e reduzir as taxas, com coragem. O aumento do preço da gasolina para reduzir os subsídios aos combustíveis, só pecou na falta de gradualismo e na metodologia burocratizada do licenciamento e dos cartões. A montanha pariu os “ratos” que se revoltaram e que reclamam com razão.

O Governo anda cada vez mais a contrair dívidas para pagar dívidas, muito acima do limite estabelecido (60% do PIB). Linhas de crédito bilaterais umas atrás das outras, sucedem-se cada vez que o Presidente da República, João Lourenço, se desloca ao exterior do país em visitas oficiais ou quando recebe seus homólogos em Luanda.

Os investimentos directos externos quase que não acontecem, e quando acontecem são de inexpressiva qualidade. O ambiente de negócios continua encalhado no grupo dos piores de África.

Erros crassos acumulados e sem soluções duradouras, na política monetária e na política cambial, conjugados com uma política orçamental irrealista, uma programação económica utópica e uma programação financeira de merceeiro. Tudo em cadeia!

As avultadas despesas supérfluas e ostentatórias, continuam a acontecer e a contratação por ajuste directo, virou moda lá no palácio presidencial.

A justiça continua morosa, descredibilizada por causa de esquemas de tráfico de sentenças e de auditorias à gestão de Conselhos de Administração e administrações municipais de muito duvidosa qualidade técnica e interesseira motivação (multas predatórias), pelo Tribunal de Contas, ou faz de contas.

Os ingredientes acima mencionados todos juntos, e por atacado, fazem de Angola um Estado adiado, problemático e pouco estável a curto e médio prazo. Quo vadis Angola com essa má governação de João Lourenço e seus auxiliares?

Definitivamente, afinal a culpa não é totalmente do ex-ministro de Estado Manuel Nunes Júnior. A culpa não pode morrer solteira, meus compatriotas! Basta ver a composição orgânica do Executivo (Dec. Legislativo presidencial n.º 9/22, de 16 Set.).

Consultem-na e verão que o cargo de ministro de Estado, teoricamente é bastante pomposo, enobrece o curriculum pessoal e envaidece o detentor do cargo, mas apenas isso. Porque na prática, poucas competências executivas tem.

Enfim, reflictam sobre isso e ajudem este país a melhorar de uma vez por todas. Precisamos mesmo de mudança em quase todos os aspectos porque senão todos nós: ricos, remediados e pobres continuaremos regressivamente a “afundar“.

Xaleno kiambote nhi mahezu ma kidi – Fiquem bem e com a sabedoria da verdade.

Voltarei.

*Consultor economico e financeiro e Analista político

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