A teia da influência de João Lourenço
A teia da influência de João Lourenço
Jlo

O resultado das eleições gerais de 2022 fragilizou o seu poder e fazem antever um fim de ciclo do MPLA. Apesar de tudo, o Presidente da República, João Lourenço, terá suavizado a pulsão do “quero, posso e mando” mas continua a alimentar a obsessão de deter Isabel dos Santos.

José Ferreira Tavares – Este general reformado é visto como a figura com maior influência junto do Presidente da República. A estratégia para tentar deter Isabel dos Santos no Dubai passou pelas suas mãos.

José Lima Massano – Antigo governador do BNA e novo ministro de Estado para a Coordenação Económica ascendeu no “ranking” dos preferidos de João Lourenço. Pode até ditar a saída da ministra das Finanças.

Luís Nunes – A Omotapalo, liderada por Luís Nunes, governador de Benguela, é uma das construtoras que mais obras tem ganhado durante o consulado de João Lourenço.

Nelson Carrinho – O Grupo Carrinho, tornou-se proeminente com a chegada de João Lourenço ao poder. Além do sector alimentar, o grupo apostou nas finanças, comprando o Banco de Comércio de Indústria.

Atanas Bostandjiev – É fundador e presidente da Gemcorp, empresa que tem 90% do consórcio que está a construir a refinaria de Cabinda, considerada essencial para baixar o preço dos combustíveis.

Joel Leonardo – Suspeito de corrupção e peculato, Joel Leonardo continua a liderar o Tribunal Supremo angolano, cenário que só é possível com o assentimento de João Lourenço.

Hélder Pitta Groz – O procurador-geral da República é instrumental na estratégia de João Lourenço de combate à corrupção. Ainda colocou o lugar à disposição após um mal entendido mas foi forçado a ficar. O mesmo tem liderado a “caça” aos ativos de Isabel dos Santos, uma das prioridades assumidas pelo governo na frente da luta contra a corrupção.

Marcelo Rebelo de Sousa – João Lourenço e o Presidente da República português criaram um clima de cumplicidade que ajudou ao desanuviamento das relações bilaterais. Pela natureza das suas funções é próximo de João Lourenço, tendo convidado o Presidente angolano para as comemorações do 50.º aniversário do 25 de Abril.

Esperança da Costa – A vice-Presidente da República foi uma escolha de João Lourenço e existe até quem a aponte como eventual número 1 do MPLA nas eleições gerais de 2027. Mas até lá tudo são conjeturas.

Ricardo Viegas de Abreu – Enquanto ministro dos Transportes é responsável pela captação de muito investimento estrangeiro. Tem ligações familiares com João Lourenço, o que facilita o contacto.

Rafael Marques de Morais – O activista foi condecorado em 2019 pelo Presidente da República, uma espécie de sinal dos novos tempos. Mantém-se como uma figura crítica da governação de João Lourenço.

Francisco Furtado – Ministro de Estado e chefe da casa de segurança, funciona como os olhos e os ouvidos de João Lourenço. Partilha com Fernando Miala a supervisão dos serviços de inteligência.

Luísa Damião – É uma das três mulheres que João Lourenço colocou em lugares-chave do poder. Luísa Damião é vice-presidente do MPLA e coordena a acção política e toda a actividade do partido.

Carolina Cerqueira – Na sequência das eleições gerais de Agosto de 2022 foi eleita para presidente da Assembleia Nacional, um órgão relevante também do ponto de vista da gestão interna de sensibilidades no MPLA.

Fernando Miala – Lidera o SINSE. O tentacular órgão de segurança do Estado. Os processos de combate à corrupção passam todos por este general que já foi proscrito, e, por isso, é ainda mais temido. O general que chegou a estar preso, acusado de ser o cérebro de um golpe de Estado contra José Eduardo dos Santos, é o chefe dos serviços secretos e conhece todos os “podres” da elite.

Edeltrudes Costa – Ministro e diretor do gabinete do Presidente da República, é o braço-direito de João Lourenço. Por ele passam todos os dossiês relevantes e a sua opinião é importante na tomada de decisões. A sua posição enquanto ministro e diretor do gabinete do Presidente da República mantém-se inatacável. Conhece como poucos o funcionamento da máquina do Palácio da Cidade Alta.

Ana Dias Lourenço – A primeira-dama, devido à sua condição de economista, é importante no aconselhamento em matérias de natureza económica. Contribui igualmente para a credibilidade externa.

Mário Pinto de Andrade – O secretário para os Assuntos Eleitorais do bureau político do MPLA é um indefectível de João Lourenço. Já preparou terreno para o adiamento das eleições autárquicas.

Eugénio Laborinho – Lidera o Ministério do Interior. Trata-se de uma pasta relevante na medida em que tem a seu cargo o processo de realização das eleições autárquicas que são um teste ao MPLA.

Diamantino Pedro Azevedo – O ministro dos Recursos Naturais e Petróleos é fundamental para levar a cabo a reestruturação deste sector, determinante para a economia angolana.

Angela Merkel – A ex-chanceler alemã é (foi) o símbolo de uma reaproximação de Angola à Europa, no sentido de captar investimento e assim diminuir a dependência do país em relação à China.

António Costa – O primeiro-ministro português, ainda que de forma indireta, tem sido um aliado de João Lourenço na estratégia deste de recuperar fundos alegadamente desviados do país.

Manuel Vicente – João Lourenço resgatou para Angola o processo que corria em Portugal contra o antigo vice-presidente e este tem retribuído com informação relevante. A sua utilidade é instrumental.

Jorge Dombolo – É secretário da área da organização e membro do bureau político do MPLA. Um lugar-chave para monitorizar sensibilidades. Ajuda o facto de ser amigo de longa data de João Lourenço.

in jornal de Negócios

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