Rádio Ecclésia votada ao abandono – Trabalhadores enfrentam mil e um problemas
Rádio Ecclésia votada ao abandono - Trabalhadores enfrentam mil e um problemas
Ecclesia

Um grupo de trabalhadores da Rádio Ecclésia queixa-se da falta de condições laborais devido à má-gestão da direcção liderada pelo padre Augusto Epalanga, lamentando das dificuldades sociais em que estão votados devido os magros salários e a falta de apoio aos trabalhadores doentes nem mesmo quando têm infelicidades (óbitos).

O Imparcial Press apurou junto de uma fonte fidedigna que, desde a saída do padre Quintino Kandagji, na altura em que se registou a última actualização salarial, até a presente data, a actual direcção não consegue solucionar os problemas básicos que afectam os trabalhadores.

Curiosamente, uma parte da problemática da seca que assola algumas províncias angolanas chegou à sede daquela emissora, ou seja, até a água para os trabalhadores consumir durante o dia normal de trabalho não existe.

“Muita gente pensou que, com a saída do padre Quintino Kandagji, a rádio seria um mar de rosa. Foi engano, a situação piorou para um nível inacreditável”, revelou ao Imparcial Press um dos trabalhadores, enfatizando que “desde que o ex-diretor Quintino aumentou o salário até hoje a realidade de baixo salário continua”.

Recentemente, o jurista Domingos da Neves abordou na sua página do Facebook sobre a situação triste que a Ecclésia atravessa, particularmente em termos de higiene nos estúdios e nas suas casas de banho.

De acordo com a mesma fonte, a Rádio Ecclésia recebe financiamentos provenientes da União Europeia, da Institutional Repository for Information Sharing (IRIS), uma organização norte-americana, e da Igreja da Norueguesa.

Mesmo assim, os trabalhadores dizem que não sentem a presença desses apoios nos seus salários, nem na compra de materiais gastáveis para o funcionamento da emissora. “Aonde vão esses euros e dólares que a direcção recebe?”, questiona o grupo, revelando que os valores em moedas estrangeiras são transferidos para uma conta bancária da Standard Bank, sediada na África do Sul.

“Um motorista da Rádio Nacional de Angola ganha melhor que um editor da Ecclésia. Um jardineiro da TPA ganha melhor que um repórter da Ecclésia. Um paginador do Jornal de Angola ganha melhor que um técnico da Ecclésia”, realçou.

No último mês de Junho, um grupo (de três trabalhadores) escreveu para a nunciatura (representação diplomática do Vaticano) a expor os problemas da rádio, mas até hoje não houve resposta. “Muitos trabalhadores estão actualmente afectados com a síndrome de Burnout (esgotamento laboral)”, frisou.

A verdadeira manda-chuva

É simplesmente tratada por dona Fatinha, e é supostamente protegida pelo elenco dos bispos que decidem sobre os destinos da igreja Católica no país. Ela tem mais poder de decisão que o próprio director da emissora, padre Augusto Epalanga.

O grupo de trabalhadores da Rádio Ecclésia acredita piamente que o padre Augusto Epalanga e o frei Estêvão (director de informação) não decidem coisa nenhuma.

“Quem manda a todos e toma decisões de tudo na rádio – desde as áreas de segurança, transporte, finanças, redacção, marketing e na admissão de novos trabalhadores – é a dona Fatinha, a super poderosa”, explicou a nossa fonte, justificando que ausência dos repórteres da Rádio Ecclésia em várias actividades é da inteira responsabilidade da dona Fatinha e não dos editores. “Porque é ela quem escolhe actividade para o motorista levar o repórter”.

No ano transacto, dois trabalhadores foram expulsos (à revelia da Lei Geral do Trabalho) da Ecclésia. Tratam-se dos jornalistas Manuel Paulo e Nildo Vidal. Ambos foram expulsos por exigirem o pagamento de subsídios que lhes foram atribuídos pela direcção da instituição, durante as campanhas eleitorais.

Segundo a nossa fonte, a emissora católica recebeu um financiamento proveniente da organização norte-americana, Institutional Repository for Information Sharing (IRIS), para cobrir os custos operacionais dos jornalistas seleccionados – pela direcção – para cobrir as actividades políticas dos partidos concorrentes as eleições gerais realizadas a 24 de Agosto de 2022.

Tema relacionado: Direcção da Rádio Ecclésia expulsa jornalista por reclamar subsídio do IRIS

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