Negócios com a CTCE na base do afastamento de Manuel Tavares de Almeida do novo Executivo
Negócios com a CTCE na base do afastamento de Manuel Tavares de Almeida do novo Executivo
Manuel Tavares de Almeida

A não recondução do então ministro das Obras Públicas e Ordenamento do Território, Manuel Tavares de Almeida, no novo executivo de João Lourenço, deveu-se ao facto de o mesmo partilhar interesses lucrativos com a empresa de construção civil China Tiesiju Civil Engineering Group (CTCE).

Segundo apurou o Imparcial Press, durante o seu “reinado”, o titular da pasta entregou uma boa parte das obras públicas a empresa chinesa que entrou no mercado angolano pelas mãos dos generais Hélder Vieira Dias “Kopelipa” e Leopoldino de Nascimento “Dino”, no tempo de José Eduardo dos Santos.

No negócio – que já enriqueceu quase todos os titulares que passaram por este ministério, em particular o general Higino Carneiro – Manuel Tavares de Almeida indicava a dedo a construtora CTCE, que no passado ergueu a centralidade do Sequele, localizado no município de Cacuaco, em Luanda.

De acordo com a nossa fonte, o ex-ministro das Obras Públicas e Ordenamento do Território terá recebido cerca de 15 por cento do valor total de cada obra entregue a China Tiesiju Civil Engineering Group (CTCE), na maior parte das vezes sem a realização do concurso público como exige a lei.

Ao se aperceber da conduta desviante do seu amigo, o Presidente João Lourenço – que no mandato passado (2017/2022) liderou a luta contra corrupção – chamou a razão a Manuel Tavares de Almeida, comunicando-o que não seria reconduzido ao cargo, como aconteceu com vários outros titulares, após as eleições de 24 de Agosto.

Vale salientar algumas obras entregues a CTCE e inaugurados pelo então ministro Manuel Tavares de Almeida:

  • Em 2019, a CTCE foi o empreiteiro que reabilitou 61 quilómetros de estrada entre Maria Teresa e o Dondo e os 48 quilómetros entre o Alto Dondo e São Pedro da Quilemba, na província do Cuanza Norte.
    O ex-ministro da Construção e Obras Públicas e o governador provincial visitaram as obras. A obra custou 71 milhões de dólares norte-americanos.
  • Em 2019, a empresa CTCE foi responsável pela construção do novo sistema de água potável de Mbanza Kongo. Mas três depois, isto é até 2022, o sistema continua inoperante.
    O coordenador da comissão instaladora da Empresa Provincial de Águas e Saneamento do Zaire (EPASZ-E-P), Diasonama Nsoki, justificou o atraso na operacionalização dos laboratórios a limitações impostas pela pandemia da Covid-19.
  • O projecto de asfaltagem da estrada Golungo Alto/Ngonguembo, província do Cuanza Norte, custou 21 mil milhões, 468 milhões, 709 mil e 253 kwanzas, lançado pelo próprio Manuel Tavares de Almeida, na capa de ministro, em Março de 2021;
  • Em Maio do corrente ano, a ex-governadora de Luanda, Ana Paula de Carvalho, inaugurou mais de nove quilómetros de estradas asfaltadas e betonadas, no município de Cacuaco.
    O primeiro troço aberto é de sete quilómetros de asfalto e liga o bairro do Mulundo, na comuna da Funda, ao Distrito Urbano do Sequele, com investimentos do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), avaliados em mais de mil milhões de kwanzas. A obra da referida via esteve a cargo da construtora CTCE.
  • Em Agosto passado, o Instituto Nacional da Habitação entregou formalmente um edifício ao Conselho Nacional da Juventude (CNJ), localizado na Urbanização Vida Pacífica, município de Viana.
    O acto decorreu na sequência da reabilitação do edifício 14, Bloco 4, pela construtora chinesa CTCE, que, por sua vez, cedeu ao Fundo de Fomento Habitacional, financiador da reparação, e foi testemunhado pelo secretário de Estado do Ordenamento do Território, Molares D’Abril.

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