O maior edifício da cidade do Cuito, o prédio do ‘Gabiconta’, vai ser demolido nos próximos meses, devido ao seu avançado estado de degradação. Construído na década de 70 do século passado, pela administração colonial portuguesa, o imóvel tornou-se num perigo para as famílias que nele habitam e para os comerciantes.
O ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Carlos Gregório dos Santos, disse há dias, na cidade do Cuito, que o antigo prédio do Gabinete de Contas ‘Gabiconta’, o hotel Cuito e o edifício que alberga os serviços administrativos da Polícia de Viação e Trânsito serão demolidos por apresentarem riscos evidentes de desabamento e colocarem em perigo centenas de vidas.
O ministro das Obras Públicas e o Governo do Bié asseguram que as famílias a serem desalojadas do edifício do ‘Gabiconta’ serão transferidas para o Projecto Habitacional ‘500 Casas’, situado no bairro Azul, no município do Cuito.
No dia 31 de Agosto do corrente ano, refira-se, a cidade do Cuito registou um tremor de terra de magnitude 5.2 na escala de Richter, que assustou quase toda a cidade e arredores, gerando-se, a partir daí, rumores de que o ‘Gabiconta’ e alguns edifícios teriam os dias contados.
Os moradores do célebre e mais alto prédio da cidade, que é símbolo da resistência de um povo que teve que travar duras batalhas, esperam ter melhores condições de habitabilidade, quando se mudarem para a zona de realojamento.
“Se realmente quiserem demolir o prédio, devem primeiro dar-nos casas para morarmos, porque já comprámos esses apartamentos ao Estado”, diz Maria Sousa, uma das mais antigas moradoras do ‘Gabiconta’, nome atribuído ao prédio devido à existência no local, nos anos 70 do século passado, de uma empresa de formação em Contabilidade e Dactilografia.
Erguido em 1970, o ‘Gabiconta’ possui seis andares, nos quais residem 49 agregados familiares, muitos deles há mais de 40 anos, alguns por vontade própria, outros por falta de um lugar para morar. Todavia, não perdem a fé de um dia morarem em outro lugar com melhores condições de habitabilidade.
“Muitos de nós só continuamos aqui por não termos aonde nos dirigir. Os que tiveram sorte conseguiram casas na Centralidade Horizonte”, lamentou um dos moradores.
Na província do Bié, mais de cinquenta edifícios estão sinalizados e necessitando de obras de reabilitação, entre eles os prédios Fadiang, Belmont, Vila Miséria, Hotel Cuito e o Gabiconta, este último, apesar de nova roupagem, continua destruído por dentro.
Do lado de fora, o cenário do prédio proporcionado pelas cores rosa, azul e amarela da pintura feita em 2005, por altura da sua reabilitação, dão um aspecto belo e positivo à “cidade do perdão”, especialmente à Avenida Joaquim Kapango, local onde está situado o edifício.
Mas a realidade é completamente diferente por dentro, pois o prédio apresenta sérios problemas de fissuras, lixo e cheiro nauseabundo por todo o lado e vazamento de águas.
in JA