A cultura da incultura em palavras atribuídas ao governador do Cuanza Sul – Marcolino Moco
A cultura da incultura em palavras atribuídas ao governador do Cuanza Sul – Marcolino Moco
Moco

Há tempos o presidente da CEAST, Exa. Reverendíssima Dom José Manuel Imbamba, referiu-se, lamentando, ao risco que Angola corre de “transformar o escândalo da pobreza ou da miséria em cultura”.

Nada mais acertado. Mas o mais preocupante é que tudo isso está a derivar da cultura da morte da ética e da moral públicas, como referi no outro dia, e com mecanismos bem garantidos.

Vai alguns dias, são atribuídas ao Sr. Dr. Job Capapinha, governador do Cuanza Sul e alto dirigente do partido no poder, mais palavra menos palavra, a afirmação, dirigida a alguns populares, de que “se a UNITA chegar ao poder ela vai roubar mais do que o MPLA está a roubar”.

Claro que com essa morte da ética e moral públicas, não esperemos que haja qualquer consequência dessa afirmação grave, que significa que se reconhece como normal que o poder serve para roubar o que é de todos através do Estado e antes “eu que já lá estou a roubar” do que passar essa bola para estranhos.

Lá onde este tipo de normalização da anormalidade é intolerável, esse Senhor Dr. amigo, estaria neste momento a ver-se em apuros, e seria a oposição a cuidar de fazer-lhe a cama, como soe dizer-se. Mas, aqui é que vêm as garantias permanentes e cada vez mais actuantes da cultura da incultura públicas: a oposição não tem palco onde se exprimir com eficácia.

Não o tem na comunicação pública onde até as palavras de Dom Imbamba foram adocicadas; não o tem na Assembleia Nacional, onde já se ouviu um deputado a esgrimir que a UNITA não pode invocar a Constituição de 2010 porque a não aprovou, e foi aplaudido estrondosamente; não o tem nos tribunais tomados pelo Ordens Superiores que agora nem se esconde a dar-lhes tais ordens, tão audíveis que elas se apresentam; não o terá nas tão esperadas eleições de 2027, se tudo permanecer intransparente como está, com estas práticas constitucionais, esta CNE e estes serviços securitários ao serviço total da parcialidade.

Como me tenho referido, ultimamente, a Igreja (igrejas cristãs sérias) reganharam legitimidade para ressuscitarem os congressos Pro Pace e “coiepas”. Não se pode continuar a ver “esta banda a passar”.

*Ex-Primeiro-Ministro de Angola e jurista

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